Ao inaugurar trecho da ferrovia Norte-Sul, em Tocantins, nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o governo vai "consertar" a escassez de crédito para que o país supere a crise financeira global.
Para Lula, existe uma torcida para que a crise afete o Brasil e uma "propaganda sistematizada" que torna a sociedade "subordinada ao pânico". O presidente insistiu na necessidade de que a população continue comprando sem temer o desemprego.
- Sei que tem um problema. O crédito está muito alto (caro) e o dinheiro desapareceu. Vamos consertar o crédito. Quem sair na frente vai ganhar o jogo (na crise) e nós precisamos sair na frente - afirmou em discurso disponibilizado pelo Planalto.
Lula defendeu mais investimentos em infra-estrutura e afirmou que a sua presença em Colinas do Tocantins, onde termina novo trecho de 94 km da ferrovia Norte-Sul, era a resposta que dava à crise.
- Agora é hora de o Estado não gastar dinheiro com custeio; a gente tem que gastar dinheiro com investimento, em obra de infra-estrutura, em coisas que possam gerar emprego, porque com responsabilidade fiscal e investimento em geração de emprego e riqueza essa crise vai voltar para os Estados Unidos, de onde saiu - disse Lula.
Ao se referir à meta anunciada pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, de criar 2 milhões de empregos até 2011 para enfrentar a crise, Lula destacou que só este ano foram criados 2,2 milhões de empregos com carteira assinada no Brasil.
O presidente voltou a atribuir a crise à especulação, que em sua opinião explicaria a alta dos alimentos e o preço do barril do petróleo ter chegado a 150 dólares.
- Quando alguém quer ganhar dinheiro sem produzir um bem, ou é ladrão ou é especulador. Já colocaram 1,3 trilhão de dólares (para contornar a crise) e nós não quebramos nem vamos quebrar - disse Lula, buscando ressaltar a vantagem do Brasil.
- Não tem nenhum país no mundo mais preparado que o Brasil para enfrentar essa crise - acredita.
O governo vem tomando medidas para ampliar o volume de crédito na economia, que foi reduzido em decorrência da crise. Entre as providências estão a redução do depósito compulsório que os bancos devem fazer no Banco Central e um pacote de financiamento para a aquisição de veículos.