Ao inaugurar a ponte sobre o Rio Paranaíba, ligando os estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que em seu governo não haverá obra eleitoral. "Não quero obra que seja a minha marca. Quero (obra) se for para beneficiar uma cidade, uma região e o país", disse o presidente Lula.
O presidente criticou a lentidão na construção da ponte, que levou dez anos para ser concluída (a construção foi iniciada em 1994 e paralisada por cinco vezes por falta de verbas do governo federal e dos governos de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul). A ponte mede 662,7 metros de comprimento e 16 de largura e ficou orçada em R$ 127 milhões. A ponte será a principal ligação entre os estados e vai facilitar o escoamento da produção e o transporte de mercadorias, especialmente para as capitais do sudeste do país. Circularão diariamente pelo local quatro mil veículos.
Lula lembrou que existem 88 obras com problemas no país, inacabadas ou em péssimo estado de conservação. O presidente criticou que não é possível que se inicie uma obra e quando tiver 25% ou 50% em andamento seja paralisada por problemas técnicos ou de falta de recursos. E disse que ao iniciar uma obra, é necessário que todos os projetos estejam aprovados, sejam técnicos ou relacionados ao licenciamento ambiental.
O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, lembrou que a ponte faz parte do programa do governo federal de conclusão das obras inacabadas. "O presidente determinou que se fosse dada prioridade na conclusão de obras em andamento, que beneficie a região e o país", disse o ministro. Ele adiantou que o presidente Lula leva a sério o trabalho de recuperar esse grande patrimônio nacional, que são as estradas federais brasileiras, e disse que tem a honra de fazer parte do governo de um presidente que conhece o Brasil efetivamente.
O ministro Anderson Adauto informou que existem 30 mil quilômetros de estradas em péssimas condições, e que até o final deste ano o governo vai recuperar 4 mil quilômetros de estradas federais.
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse que a ponte inaugurada hoje é uma obra significativa do atual governo para o desenvolvimento da região do Triângulo Mineiro, do Mato Grosso do Sul e também de Goiás. "É uma obra que atende não apenas a essa região, mas ao país". O governador mineiro lembrou que o ex-presidente Fernando Henrique, ao longo dos seus 8 anos de mandato, procurou dar continuidade à construção dessa ponte.
Aécio Neves elogiou o presidente Lula, pela forma com que trata o Estado de Minas Gerais, "sem qualquer tipo de discriminação" e mantendo um diálogo aberto e franco. "Desejo que possamos ao final das reformas da Previdência e tributária, iniciar um círculo virtuoso de desenvolvimento", disse Aécio, salientando que o presidente Lula honra o Brasil e sobretudo os mineiros.
Já o governador do Estado do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, disse que a inauguração dessa obra vai alavancar um novo ciclo de desenvolvimento na região, sobretudo na área do agronegócio. Ele disse que a ponte vai encurtar em 300 km a distância para exportação de produtos agrícolas e pecuários pelo Porto de Santos.
O prefeito de Paranaíba (MS), Diogo Robalinho de Queiroz, o Tita, informou que a conclusão da ponte vai beneficiar a economia do seu município. Ele disse que a indústria de açúcar e de álcool em Cururipe, já iniciou negociações no sentido de construir uma usina no município de Paranaíba.