O presidente Luiz Inácio Lula da Silva jogou para o Congresso Nacional a responsabilidade sobre o modelo final da reforma tributária, que deve ser aprovada em primeiro turno no Senado nos próximos dias, após acordo fechado com a oposição na sexta-feira.
"A reforma que vai sair do Congresso Nacional é a reforma que a cabeça política dos políticos brasileiros permite que saia. Não dá para você inventar. Não dá para você fazer uma reforma virtual, aquela do desejo do presidente, aquela do desejo do ministro tal", afirmou Lula a jornalistas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.
A reforma tributária negociada no Congresso abrange pouco mais do que os pontos necessários para a manutenção das contas do governo, como prorrogação da Desvinculação das Receitas da União (DRU) e da CPMF por quatro anos, com gatilho para reduzir a alíquota a ser definido em lei ordinária. Pontos sensíveis e ousados, como a unificação do ICMS e a implementação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) devem ficar apenas para 2005 e 2007, respectivamente.
Segundo o presidente, no entanto, esse é o resultado da visão dos congressistas. "E nós, enquanto Executivo, temos apenas de acatar a decisão do Congresso Nacional."
Apesar de indicar que a reforma aprovada não é a dos seus sonhos, Lula mostrou-se animado com o resultado das negociações. No fim da entrevista, a primeira concedida a jornalistas brasileiros desde que iniciou a viagem por países árabes na última quarta-feira, o presidente foi perguntado se estava satisfeito com o resultado das reformas. Sorrindo, respondeu: "Olha a minha cara. Quando eu chegar no Brasil vou convocar uma coletiva para falar sobre isso."
Na véspera, durante o vôo de cerca de três horas de Beirute (Líbano) para Abu Dhabi, o presidente chegou a comemorar o acerto para a votação da tributária. Segundo um assessor, Lula se disse aliviado com o acordo.