O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou em artigo publicado neste sábado pelo jornal britânico The Guardian que a onda conservadora que percorreu o mundo após a queda da União Soviética "contaminou segmentos da esquerda".
- O realismo político não pode ser utilizado como justificativa para abandonar os sonhos que constituem a fundação do ideário da esquerda - afirmou o presidente.
Lula chega neste sábado a Londres para participar de uma série de reuniões sobre a "Terceira Via" e a reforma dos Estados promovidas pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.
No artigo publicado em The Guardian, o presidente afirmou que é necessário ter "coragem" para "iniciar um ambicioso programa de reformas que possa melhorar, de forma imediata, as condições de vida da maioria da população".
- Mas essas mudanças só devem ser entendidas como um aspecto do processo mais amplo que a transformação social representa - acrescentou.
Lula resumiu no artigo os objetivos de seu governo, como lutar contra a fome e, na política externa, priorizar as relações com os outros países da América do Sul.
O presidente brasileiro também reiterou suas críticas à ordem mundial e às políticas das instituições financeiras para os países latino-americanos.
- Desde 1990, o Brasil, assim com outros países da América Latina, foi transformado num laboratório de desastrosas receitas econômicas que danificaram a capacidade produtiva, desmantelaram o tecido social, enfraqueceram a faculdade dos Estados para regular e incrementaram a vulnerabilidade diante das pressões externas - afirmou.
Lula diz ser necessário "uma nova forma de política externa que ajude a construir uma nova ordem mundial, que seja ao mesmo tempo mais justa e mais democrática".
- É preciso acabar com a anarquia financeira internacional e com as pressões que esta exerce sobre as economias em desenvolvimento - apontou.