O presidente Lula disse nesta quinta-feira que o povo brasileiro deve ter "a paciência das mulheres" para esperar os bons resultados da política econômica e social do País. Lula fez a declaração ao particiar da 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília.
"Muitas coisas não podem ser feitas em 18 meses. Muitas coisas não podem ser feitas em quatro anos. Possivelmente outras coisas não poderão ser feitas em muitos anos", afirmou.
O presidente ressaltou que seu governo tem dado passos importantes para o desenvolvimento do país. "O importante é que a gente estabeleça como regra para a relação entre o Estado e a sociedade que nós estamos dando passos, por menores que eles sejam, para que a gente possa construir".
Lula destacou que 93% dos recursos distribuídos pelo programa social Bolsa-Família são destinados a famílias chefiadas por mulheres. Segundo o presidente, o governo entende que os recursos são melhores aplicados quando estão nas mãos das mulheres. "Nós partimos do pressuposto de que o dinheiro chegando a mulher será cuidado com mais carinho e usado com mais eficácia", ressaltou.
Lula condena violência e cita medidas
Lula disse que, após anos de luta, as mulheres conseguiram conquistas importantes, como o aumento no grau de escolaridade. Lula reconheceu, entretanto, que ainda existem problemas graves. A média salarial das mulheres continua inferior a dos homens, mesmo quando exercem a mesma função. Outra preocupação, segundo o presidente, é a violência que as mulheres sofrem, muitas vezes, dentro de casa. Citando dados de uma pesquisa realizada em 2001, Lula lembrou que uma em cada três mulheres já foi vítima de algum tipo de violência. O presidente citou ações tomadas por seu governo para promover a igualdade entre os gêneros. Entre elas, o Programa de Prevenção e Combate à Violência Contra a Mulher e a sanção de uma lei que obriga as unidades de saúde públicas e privadas a notificarem os casos de violência contra a mulher.
Outra iniciativa, segundo ele, foi a criação de uma linha específica de crédito rural para as agricultoras familiares. Além disso, as escrituras das terras dos assentados da reforma agrária passaram a ser emitidas com o nome do homem e da mulher.
O presidente arrancou aplausos da platéia de cerca de duas mil mulheres quando disse que, na maioria das discussões entre homens e mulheres, elas estão com a razão. "As mulheres não precisam nem gritar. As mulheres, diferente de nós, nem precisam esbravejar. Porque todos nós, por mais bravos que sejamos, de vez em quando precisamos reconhecer que, na maioria das vezes, nossas companheiras têm razão no relacionamento que elas têm conosco".
Plano Nacional de Políticas para as Mulheres
A conferência, que acontece em Brasília, reúne cerca de duas mil mulheres até sábado (17) para discutir a criação do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. O evento vai debater o combate à agressão doméstica e familiar e questões ligadas à mulher indígena.
Participam do encontro a primeira-dama, Marisa Letícia, a ministra Nilcéia Freire, secretária Especial de Políticas para as Mulheres, e a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Social.