O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou nesta segunda-feira o compromisso com a política fiscal e disse ter aprendido "que não se pode brincar com a economia". Lula admitiu ainda que o país enfrenta vulnerabilidade.
Durante discurso na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em evento comemorativo aos 5 anos do jornal Valor Econômico, o presidente lembrou de experiências malsucedidas no passado, como o Plano Cruzado e a desvalorização cambial.
"Todos nós conhecemos a história... perto das eleições todos apresentam soluções fáceis", afirmou ele a uma platéia de empresários e jornalistas, acrescentando que esse não é o caso do atual governo.
Como exemplo, Lula lembrou da elevação da taxa de juros a 15 dias das eleições municipais no ano passado, "coisa que não é habitual fazer no Brasil".
"No Brasil, normalmente as pessoas esticam a corda, esticam a corda até passarem as eleições", disse Lula.
"Provavelmente estejamos vivendo um momento diferente porque eu não tenho a minha vida marcada por uma eleição... eu aprendi na minha vida que não se pode brincar com economia", disse Lula.
"Você faz aventura em qualquer lugar do mundo, pode até subir uma montanha pendurado em uma corda, mas com a economia você tem de agir com seriedade, principalmente em um país que tem a vulnerabilidade que nós ainda temos", acrescentou o presidente, sem explicitar qual seria essa vulnerabilidade.
O discurso desta noite seguiu a mesma linha das declarações do presidente durante sua entrevista coletiva da última sexta-feira, quando deixou claro que o controle da inflação será a prioridade do governo no restante do mandato.
Na Fiesp, o presidente prometeu ainda que o governo vai "jogar pesado" para combater o déficit previdenciário. "Se não for superavitário, não será um bolsão de prejuízo no orçamento como tem sido nos últimos anos."