Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Lula diz que divergências políticas precisam ser superadas

Ao lançar, neste sábado, um programa de ações destinado a melhorar as condições de vida da população do semi-árido brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta: o país ficará emperrado se as divergências políticas não forem superadas. Lula visitou o município de Buíque, em Pernambuco, para lançar o projeto Conviver, com o qual também marcou o início do programa Fome Zero no estado. (Leia Mais)

Sábado, 26 de Abril de 2003 às 13:29, por: CdB

Ao lançar, neste sábado, um programa de ações destinado a melhorar as condições de vida da população do semi-árido brasileiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta: o país ficará emperrado se as divergências políticas não forem superadas. Lula visitou o município de Buíque, em Pernambuco, para lançar o projeto Conviver, com o qual também marcou o início do programa Fome Zero no estado. O projeto de ações integradas propõe-se a desenvolver a agricultura familiar - não apenas no semi-árido, mas em todo o Brasil - e levará assistência técnica aos pequenos produtores. Em seu discurso, Lula pediu uma cooperação maior entre todos os níveis de poder. A mensagem do presidente, entretanto, foi entendida também como um recado a seus correligionários no Partido dos Trabalhadores, que viveu mais uma semana de desentendimentos públicos em questões cruciais do governo. No episódio mais marcante, o senador Aloizio Mercadante e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, defenderam, em entrevistas, oposições opostas sobre o controle do câmbio como forma de conter a queda do dólar frente ao real. "Ou todos nós assumimos a responsabilidade de deixar as divergências políticas para a época das eleições e trabalhamos juntos, ou não há solução para o país", advertiu Lula. O presidente também reafirmou que as mudanças prometidas ao longo de sua campanha não serão sentidas da noite para o dia. Lula lembrou que está há apenas quatro meses no governo e que encontrou o Brasil em uma situação difícil. Por isso, o apoio dos governadores e da sociedade para a aprovação das reformas tributária e da Previdência é fundamental, acrescentou. "Disse que só eu seria capaz de fazer as reformas porque, para isso, é preciso ter contato com todos os partidos políticos", disse. "Acima de tudo é preciso vontade política e coragem para enfrentar os que se opõem (às reformas)". Antes da cerimônia de lançamento do Conviver, Lula visitou a casa do agricultor José Cícero Filho, que mora com a mulher e sete filhos em uma pequena propriedade rural a 12 quilômetros do centro de Buíque. A casa de três cômodos não tem saneamento básico, água ou energia elétrica. A família vive de uma plantação de feijão. Sem qualquer sistema de irrigação, 60 por cento da safra estão comprometidos. José contou que, por causa da estiagem, perderá toda a colheita se não chover até maio. Lula decidiu visitar a família de José Cícero porque o agricultor será um dos beneficiados pelos novos programas do governo. O Conviver inclui uma série de ações, que beneficiarão moradores das regiões mais secas do país que praticam a agricultura familiar. Entre as ações estão o Seguro-Safra, o Crédito Fundiário e programas de assistência técnica que serão oferecidos aos pequenos produtores. Sobre o Fome Zero, o governo prometeu levar o Cartão Alimentação inicialmente a 19 municípios pernambucanos. Famílias com renda mensal de até meio salário mínimo receberão R$ 50,00 por mês para a compra de alimentos, a partir da segunda quinzena de abril. Após a cerimônia em Buíque, realizada na feira no centro do município e à qual 10 mil pessoas compareceram, Lula viajou de volta a Brasília.

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