Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Lula diz que Brasil vai conversar em pé de igualdade com os países desenvolvidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que vê poucas ações dos países ricos para ajudar os países pobres a combater os efeitos da crise financeira internacional. Lula está na Europa, onde participará nesta semana de reunião com os líderes dos principais países desenvolvidos e em desenvolvimento no encontro do G8 e do G5. Presidente critica tratamento que países ricos dispensam aos imigrantes

Segunda, 06 de Julho de 2009 às 07:59, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que vê poucas ações dos países ricos para ajudar os países pobres a combater os efeitos da crise financeira internacional. Lula está na Europa, onde participará nesta semana de reunião com os líderes dos principais países desenvolvidos e em desenvolvimento no encontro do G8 e do G5. O evento ocorrerá em L'Aquila, na Itália, para onde o presidente irá depois de visitar a França.

– Eu estou vendo pouca coisa acontecer por parte dos países ricos na ajuda que deveriam dar. Nós precisamos cobrar as coisas que nós decidimos que o Fundo Monetário Internacional (FMI) iria fazer e que o Banco Mundial iria fazer, e acho que essa reunião é extremamente importante – afirmou Lula em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente.

Lula reafirmou que as discussões sobre a conjuntura econômica mundial deveriam ser realizadas pelo G20, grupo que reúne mais países em desenvolvimento. Para o presidente, ao tomarem decisões, os países desenvolvidos devem levar em consideração a opinião dos chamados Brics – Brasil, Rússia, Índia e China. A próxima reunião do G20 ocorrerá em setembro.

– A verdade é que a situação está tão complicada que hoje é muito difícil os países ricos tomarem posição que não leve em conta os chamados Brics, os chamados países emergentes, dos quais faz parte o Brasil. O grande fórum de discussões das questões econômicas deveria ser o G20 – destacou o presidente.

Dentre os temas que devem entrar em pauta no G8, o presidente destacou a segurança alimentar e lembrou que, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o número de pessoas que passa fome no mundo deve passar de 1 bilhão este ano. Para ele, o Brasil tem “uma lição a dar” e “experiência” por meio de programas como o Mais Alimentos.

– Vamos chegar (à reunião do G8) em uma posição confortável de discutir, em condições de igualdade, com os países ricos do mundo – disse.

Imigrantes

A situação econômica internacional será o principal assunto das reuniões do G8 e do G5, em que deverão também ser discutidos crises regionais, a luta contra as mudanças climáticas e o comércio internacional. Citando recente decisão do Brasil de facilitar a legalização de imigrantes, Lula criticou os países desenvolvidos.

Segundo o presidente, "enquanto eles (países ricos) estão perseguindo os imigrantes", o governo dá uma "demonstração do tratamento especial que o Brasil quer dar aos nossos irmãos que vieram de outros países para tentar a sorte no Brasil".

Ao comentar a lei sancionada na semana passada sobre a regularização de estrangeiros ilegais no país, o presidente Lula afirmou que a iniciativa representa “mais uma lição ao chamado mundo desenvolvido”. “Enquanto eles (países desenvolvidos) estão perseguindo os imigrantes, no Brasil, nós assinamos uma lei dando reconhecimento aos imigrantes”, disse.

O presidente lembrou que a lei vai garantir aos estrangeiros “os mesmos direitos que damos aos nossos compatriotas" – entre eles, a liberdade de circulação em território nacional e o pleno acesso ao trabalho remunerado, à educação, à saúde pública e à Justiça. De acordo com a nova legislação, todos os imigrantes que tenham entrado no Brasil até 1º de fevereiro de 2009 e estejam em situação irregular poderão requerer residência provisória por dois anos. Três meses antes do fim do prazo, a residência será transformada em permanente.

No programa, Lula destacou também o lançamento da certidão negativa de naturalização. A eCertidão, segundo ele, permite, via internet, a naturalização de um estrangeiro no país “de forma rápida, segura e transparente”.

– O que demorava um ano e meio ou dois anos agora vai ser feito em poucos dias – prometeu Lula.

Lula encerra a pauta desta segunda-feira com jantar com o primeiro-ministro português, José Sócrates. Nesta terça, pela manhã, o presidente brasileiro se reúne com o chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy.

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