Com o apagar das luzes no cenário dos Jogos Olímpicos de Pequim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou apenas como “razoável” a participação brasileira nessa edição. Segundo o presidente, é óbvio "que, como brasileiro, a gente fica querendo o maior número de medalhas de ouro possível. Entretanto, alguns outros também querem ganhar”, ponderou, durante o programa semanal Café com o Presidente.
Lula destacou, entretanto, que o país conseguiu conquistas em certas modalidades que “não tinha o hábito de ganhar”. Ele elogiou o desempenho da brasileira Maurren Maggi, ouro no salto em distância, e também da seleção feminina de vôlei, que também faturou a medalha dourada depois de ser vice-campeã nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Para o presidente, o nadador César Cielo, o primeiro campeão olímpico da história da natação brasileira, é uma “demonstração” de que o país pode melhorar.
– A frustração que nós brasileiros temos é que sempre esperamos que, no futebol, a gente ganhe medalha de ouro. Mas, o Brasil nunca ganhou, ganhou duas pratas – afirmou.
Apesar das críticas ao bronze da seleção masculina de futebol, ele classificou como “heroína” a equipe feminina de futebol e disse lamentar “profundamente” que o grupo não tenha alcançado a medalha de ouro.
– A gente fica triste, porque tem o Diego Hipólito, que era um medalhista de ouro quase certo, a Daiane, que pisou duas vezes fora do espaço determinado, e a Jade Barbosa, possivelmente muito nova, não conseguiu ter o bom desempenho que as pessoas esperavam – disse.
Esporte a sério
Depois de considerar “razoável” a participação brasileira nos Jogos Olímpicos, o Lula afirmou que o país ganha aos poucos tradição nas disputas esportivas, mas advertiu que é preciso “levar mais a sério” o esporte brasileiro. O presidente lembrou que 10% dos membros da maior delegação brasileira a uma olimpíada faziam parte do programa Bolsa Atleta, financiado pelo Ministério dos Esportes. Lula se disse “convencido” de que o país poderá apresentar um desempenho melhor nas próximas competições, caso haja “maior maturidade profissional” no tratamento dos atletas.
– Grande parte desses atletas, salvo a seleção de futebol e a seleção de vôlei, tanto masculina quanto feminina, são pessoas que ganham bom salário, que têm estrutura de financiamento. Mas grande parte dos outros atletas que foram (a Pequim) sobrevivia por conta própria. Tanto que, nas Olimpíadas passadas, alguns tinham quase que pagar a passagem por conta própria para ir – lembrou.
Para Lula, a saída está na contribuição das prefeituras, dos governos estaduais e de empresários brasileiros, que possibilitaria a formação de equipes mais competitivas, melhores performances e tratamento esportivo adequado.
– Não que a gente queira ganhar todas de ouro, mas para que possa disputar uma olimpíada em igualdade de condições. Se nós começarmos a fazer isso agora, temos chance de melhorar muito em 2012 e de estar na ponta do casco em 2016 – acredita.
O presidente reforçou a candidatura brasileira para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 e lembrou que a América do Sul nunca sediou a competição. Ele acredita que a vitória do Rio de Janeiro diante de concorrentes como Tóquio, Chicago e Madri é “uma questão importante para os brasileiros” e se compromete a “brigar” para vencer a disputa.
– O Rio de Janeiro tem possibilidades concretas – concluiu.