O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou fez "o jogo real da política" em seu governo e que está voltando "mais forte" para um segundo mandato, depois de ser dado como acabado.
- Política a gente faz com quem a gente tem, não com quem a gente quer. Esse é o jogo real da política e precisou ser feito por quatro anos para que nós pudéssemos chegar hoje numa situação altamente confortável do ponto de vista econômico, político e social - disse Lula ao fazer uma análise de seu governo para uma platéia de intelectuais de esquerda, reunidos na capital paulista, na noite desta segunda-feira..
Lula justificou as alianças do primeiro mandato --marcadas pelo escândalo do mensalão--, definiu-se como "vermelho" e disse que a população mais pobre sente-se dona do governo no Brasil.
- Todo mundo achava que nós tínhamos acabado e, de repente, descobrem que a gente não só não tinha acabado, como ressurgimos mais fortes do que éramos - afirmou Lula.
Lula também disse que o PT "sempre terá um papel" em seu governo e desdenhou as críticas a sua propaganda eleitoral, que privilegia a figura do candidato em detrimento dos símbolos e cores do PT.
- A imprensa me cobra: cadê o vermelho do PT? O vermelho sou eu, ora! - desabafou.
Foi o mais forte discurso de Lula desde o início da campanha eleitoral.
O presidente também sinalizou para os intelectuais, alguns dos quais haviam se afastado do PT e do governo, que pretende "dar o próximo passo" em um segundo mandato.
- O fenômeno novo na política brasileira não é o fato de o Lula estar subindo nas pesquisas, é o fato de que uma parcela significativa dos pobres se acha importante, e (eles) se sentem iguais ao presidente da República. Eles já não falam no governo do Lula, eles falam: nós governamos este país - afirmou.
Lula aproveitou o fato de a filósofa Marilena Chauí e do escritor Artur Poerner terem mencionado, antes dele, que a origem da maior parte das intenções de voto na reeleição está nas camadas mais pobres da sociedade e na região Nordeste do país.
- Os chamados formadores de opinião já não detêm mais a verdade absoluta. Hoje não são os setores médios que determinam o voto da empregada doméstica e do porteiro do prédio. O pobre agora está achando que ele pode - disse.
O presidente evitou entrar no debate macroeconômico, proposto pelo economista Paulo Nogueira Batista, que pediu a substituição dos "jogadores do time adversário" no Banco Central. Lula pediu ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, para providenciar um encontro exclusivamente com economistas.