A campanha eleitoral já está no ar. Tanto o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva quanto seu principal adversário, o governador do Estado de São Paulo, José Serra, não dispensam um evento público onde possam aparecer. Na noite passada, Lula disse que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, é "palanqueira", em alusão aos comentários de desafetos políticos que a consideram antipática.
Lula também defendeu a implantação da segunda versão do PAC, chamado pela oposição de "slogan publicitário", durante discurso na inauguração da sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo.
– Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito e quem vier depois de mim, eu por questões legais não posso dizer quem é, espero que vocês adivinhem, vai encontrar um programa pronto, com dinheiro no Orçamento. Estou fazendo o PAC 2 porque preciso colocar dinheiro no Orçamento para as pessoas trabalharem – disse Lula à plateia ao lado de Dilma.
Segundo ele, o novo programa deve ser lançado em março e inclui recursos às obras para a Copa do Mundo de 2014 e projetos de transporte e mobilidade urbana. A declaração encerrou uma semana polêmica para os dirigentes do PT e do PSDB, que trocaram insultos por meio de notas públicas envolvendo os candidatos à sucessão presidencial.
Na terça-feira, Dilma afirmou em evento público em Minas Gerais que os tucanos, se eleitos, pretendiam acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). As afirmações foram baseadas em entrevista do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), à revista Veja na semana passada. Discursando antes do presidente, Dilma defendeu a continuidade das políticas adotadas nos dois mandatos de Lula.
– Muita gente está hoje discutindo o pós-Lula como se fosse um dia em que a gente começa tudo outra vez. Não é verdade... O pós-Lula é entender a continuidade do processo que levou o país a uma situação exemplar – afirmou.
Enquanto Serra procurava distender o encontro com Lula e Dilma, desconversando sobre futebol, foi a vez da pré-candidata do PV à sucessão presidencial, senadora Marina Silva (AC), entrar no debate sobre o futuro do PAC no próximo governo ao afirmar que o principal programa de infraestrutura da gestão Lula tem um visão equivocada e que as obras não se preocupam devidamente com o impacto social e ambiental.
– O programas tem um visão equivocada. É a visão da aceleração pela aceleração. Precisamos dos investimentos em infraestrutura, mas ele pode ser feito de forma cuidadosa com as questões sociais e ambientais – disse a senadora a jornalistas, no Rio, em horário semelhante ao encontro de seus adversários, em São Paulo. Ela gravou o programa eleitoral do partido no rádio e na TV que vai ao ar em 4 de fevereiro.
Marina, porém, não falou em acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como pregou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Ela avalia, no entanto, que falta uma visão estratégica e nacional ao programa de aceleração do crescimento.
– Tem que se pensar a infraestrutura do país de forma mais estratégica. Não se trata apenas de ter investimentos fragmentados. É preciso ter um olhar mais integrado para o programa – concluiu.