O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou para a próxima semana a definição sobre o valor do salário mínimo que, segundo interlocutores ligados ao presidente, tende a ser fixado em 260 reais, como quer a equipe econômica.
O aumento de 20 reais no valor do mínimo embute praticamente apenas a correção inflacionária do período, sem aumento real, como havia prometido o presidente. Com essa definição, o governo deixaria a cargo do Congresso a responsabilidade de dar um aumento maior para o mínimo se julgar necessário.
Paralelo ao aumento do mínimo deve ser elevado o valor do salário-família dos atuais 13,48 reais para 25 reais. Lula se reuniu com oito ministros por cerca de duas horas nesta sexta-feira para discutir a questão. Depois se encontrou com o presidente da Central Ûnica dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho.
Segundo o sindicalista, Lula deve bater o martelo sobre o mínimo em nova reunião ministerial entre terça e quarta-feira da próxima semana. Visivelmente decepcionado com o resultado de seu encontro com o presidente, Marinho afirmou que o valor em discussão ainda está entre 260 e 270 reais.
Ele disse que Lula não esclareceu quais seriam os principais empecilhos para a tomada da decisão, mas que o presidente reafirmou que pretende anunciar o valor juntamente com uma série de medidas adicionais nas áreas de saneamento e saúde, por exemplo.
Segundo apresentação do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Guido Mantega, durante a reunião desta sexta-feira, o reajuste do mínimo de 240 para 260 reais mais o aumento do salário-família representam uma despesa adicional de 1 bilhão de reais no Orçamento deste ano. Essa despesa deverá ser coberta pelo aumento da arrecadação.
O argumento a favor de um reajuste maior do salário-família, em lugar de concentrar todo reajuste no mínimo, é de que ele beneficia quem precisa mais, já que é proporcional ao número de filhos na família.
Em Washington, onde participa de reunião semestral do Fundo Monetário Internacional, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negou que tenha proposto qualquer valor para o mínimo ao presidente.
``Apenas apresentei todos os argumentos, todos os dados disponíveis, mostrando (...) quais as dificuldades que existem no governo federal, nos governo municipais sobre as contas públicas'', disse Palocci a jornalistas.
``Se você tem um ganho maior no salário mínimo e tem uma piora no equilíbrio das contas públicas, da Previdência, isso tem um custo para o trabalhador'', acrescentou o ministro.
A CUT defende um mínimo de 300 reais, mas o próprio Marinho descartou a possibilidade de o governo chegar a isso. Na avaliação do presidente da CUT, o aumento do salário-família pode ser uma boa medida num primeiro momento, mas que não resolve a questão no longo prazo.
``Espero que o presidente assuma o compromisso de um debate planejado. Tem que se planejar o mínimo para o ano que vem e não ficar calculando o valor com as migalhas do Orçamento'', disse Marinho a jornalistas após reunião com o presidente.
``Lula me disse que, pela primeira vez, um dirigente sindical havia falado sobre o mínimo de forma diferenciada e pediu um estudo sobre o debate antecipado do mínimo'', acrescentou Marinho.
Ele disse ainda que o presidente pediu um prazo de dez dias para estudar a proposta da CUT de criar um plano de contratações emergenciais para combater o desemprego, mas que está pessimista em relação à resposta do governo.
``O presidente partilha da idéia que o quadro de desemprego é gravíssimo, mas não acredita que as contratações emergenciais sejam a solução... Não saio com muita esperança em relação a essa proposta'', resumiu.