O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia o novo salário mínimo na quarta-feira, quando deve decidir-se pelo valor de 290 reais a partir de janeiro.
A outra opção, que previa elevar os atuais 260 reais para 300 reais, perdeu força, segundo fontes ligadas às negociações que pediram para não ser identificadas.
O reajuste do salário mínimo depende das restrições orçamentárias, que estão sendo analisadas com cuidado pela equipe econômica. Uma das preocupações são as contas da Previdência Social, já que os benefícios são atrelados ao mínimo.
Também na quarta-feira, Lula quer divulgar uma definição para a correção da tabela do Imposto de Renda.
"Temos que organizar essas demandas com o Orçamento, mas com as dificuldades orçamentárias que temos, teremos de ter muita precisão para não haver descontrole", afirmou o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, a jornalistas.
Pela manhã, o salário mínimo e o IR foram os temas principais da reunião de coordenação política, que teve a presença de ministros, líderes políticos e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. Lula recebeu documentos com diversas estudos produzidos pela equipe econômica.
O líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), que também esteve na reunião, defendeu que o valor seja de 290 reais porque representaria um ganho salarial anual superior.
"A hipótese de janeiro, do ponto de vista do trabalhador, demonstra um ganho melhor em termos de massa salarial. Mas maio, simbolicamente, pode agradar mais", disse Luizinho.
Os sindicalistas criticaram a fixação do salário mínimo em 290 reais e ainda confiam na conversa que terão na quarta-feira com o presidente Lula.
"Não vamos concordar. Vamos tentar desgastar o governo, vamos para o Congresso, vamos fazer manifestação", disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.
"O governo está mais preocupado com a moeda e o superávit primário do que com os trabalhadores", ironizou Paulinho.
A proposta dos sindicatos é aumentar o salário mínimo para 300 em janeiro ou 320 reais em maio, mês tradicional para o reajuste. Os 320 reais significam 15 por cento acima da inflação pelo INPC.
Luiz Marinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi mais moderado nos comentários. "Não queremos 290 reais a partir de janeiro, mas não vamos lamentar por antecipação. Vamos aguardar as conversas."
Em 2003, coube a Marinho anunciar o valor do salário mínimo após encontro com o presidente Lula. "Esperamos anunciar na audiência de agora."
Marinho e Paulinho participam da chamada Marcha a Brasília, mobilização que chegará à capital na terça-feira à noite e que pretende sensibilizar governo e políticos para o reajuste do salário mínimo e da tabela do IR.
Cerca de 2 mil sindicalistas, segundo a CUT, estão caminhando de Valparaíso, em Goiás, pela BR-040 até Brasília, num total de 40 quilômetros.
"Os pés estão quentes para caramba", disse Marinho, após caminhar 20 quilômetros nesta segunda-feira.
Para a tabela do IR, as centrais levaram ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, uma sugestão de correção, que foi negada.
Na verdade, o governo discute proposta da equipe econômica, que quer criar novas alíquotas de contribuição, por entender que perderá menos receita, enquanto a área política quer aumentar o valor da isenção, cedendo às pressões das centrais sindicais. Hoje o valor de isenção é de 1.058 reais.