O governo instalou nesta quarta-feira o novo Conselho Nacional de Cinema, com a responsabilidade de formular e implementar políticas sustentáveis e de longo prazo para o cinema nacional. Durante a cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu os gastos com cinema como ''investimento''.
``A cultura é sempre a menina dos olhos nas campanhas políticas, mas na hora de discutir dinheiro fica difícil... Como se investimento em cultura fosse apenas gasto e não investimento de fato'', disse o presidente durante a cerimônia de instalação do Conselho.
Criado em 2001, o Conselho foi ampliado pelo atual governo. Aumentou a participação de ministros de Estado, tornou obrigatória a participação de três representantes da sociedade civil e aumentou de cinco para seis os membros do segmento audiovisual brasileiro.
Apesar do crescimento e do sucesso de várias produções nacionais, o financiamento de novos projetos ainda é o ponto crítico da área.
Lula ressaltou o recente desempenho do cinema nacional, que vem conquistando um público cada vez maior. ``Conseguimos quebrar o tabu de que o brasileiro não gosta do que é produzido no país'', disse o presidente.
Ele ilustrou seu discurso com alguns dados sobre a indústria cinematográfica brasileira em 2003. Segundo o presidente, das 20 maiores bilheterias do ano passado, oito foram de filmes produzidos aqui, reunindo cerca de 22 milhões de telespectadores.
O presidente elogiou o trabalho do ministro da Cultura, Gilberto Gil, à frente da pasta e disse que, no ano passado, o espaço para o cinema nacional nas salas de exibição foi dobrado. Segundo ele, do total de ingressos vendidos em 2003, 21,5 por cento destinaram-se às produções nacionais contra 8 por cento vendidos no ano anterior.
``Nossa obrigação é criarmos oportunidades para vocês provarem que não somos inferiores a ninguém'', concluiu o presidente.
Antes do discurso do presidente, Gil elogiou as produções nacionais, em especial o filme ``Cidade de Deus'', que conseguiu reconhecimento internacional e obteve quatro indicações ao Oscar.
``Os filmes brasileiros alcançaram competitividade para atingir o público nacional... Temos que criar um sistema de produção de filmes que possam competir com as produções estrangeiras'', disse o ministro da Cultura.
Gil também destacou a importância do Conselho na formação de público e no estabelecimento de uma política de cinema rentável e que seja sustentável.
A principal meta do novo Conselho, segundo o ministério da Cultura, será a transformação da Ancine (Agência Nacional de Cinema) em Ancinav (Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual). A nova agência será vinculada ao Ministério da Cultura e não à área econômica, como no passado.
Outro desafio do Conselho será a elaboração de uma Lei Geral do Cinema e do AudioVisual, com um estatuto com normas gerais para o setor.