Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Lula defende união da América Latina com a África

Quarta, 20 de Abril de 2005 às 14:00, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira a necessidade de consolidar a união política entre os países da América Latina e da África, de modo que eles tenham mais força no cenário mundial.

- É essa relação política que vai fazer com que tenhamos força na hora que quisermos mudar a ONU (Organização das Nações Unidas) e que pode ajudar a mudar a correlação de forças dentro da OMC (Organização Mundial do Comércio) - disse o presidente, na abertura do 16º Congresso Continental da Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres.

O presidente disse que essa é a razão de ter sido o presidente brasileiro que mais visitou os países latino-americanos e africanos. De acordo com Lula, a mudança de relação entre os países vizinhos foi responsável por tirar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) da pauta de discussões do governo brasileiro.

- Faz dois anos que não se discute mais Alca no Brasil - afirmou.

Para o presidente, é preciso que os países latino-americanos estabeleçam políticas de complementariedade para acabar com as disputas internas e com a valorização excessiva do que é produzido nos países desenvolvidos.

Lula chamou a atenção para o fato de que 2006 será um ano eleitoral em diversos países da América Latina e que essa será uma oportunidade de se fazer as mudanças necessárias. Ao mesmo tempo, Lula afirmou que as eleições não podem ser a única preocupação dos políticos.

- Não se pode pensar nas próximas eleições porque senão você não sai do seu país, não faz política externa e não estabelece um novo padrão de enfrentamento democrático nos fóruns multilaterais - disse.

O presidente não chegou a falar em reeleição, mas ao comentar a expectativa que se cria quando um dirigente sindical é eleito afirmou:

- Quando vocês tomam posse, percebem que para concretizar a expectativa gerada leva mais tempo do que vocês imaginaram, muito mais tempo.

Sobre as eleições na América do Sul, o presidente defendeu que é preciso tomar cuidado com o processo eleitoral para evitar retrocessos nas conquistas políticas.

Lula disse que, ao deixar de ser presidente, pretende voltar ao movimento sindical.

- E quando deixar a Presidência, pode ficar certo companheiro Marinho (Luiz Marinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores - CUT), que me verá em muitas assembléias do sindicato dos metalúrgicos, porque eu estou presidente, mas o que eu sou mesmo é um dirigente sindical - afirmou ele.

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