O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que as principais economias emergentes não podem ser excluídas das discussões sobre temas prioritários da agenda internacional, em discurso em homenagem à presidente da Índia, Pratibha Patil, durante almoço no Palácio do Itamaraty.
— Estamos juntos em nossa interlocução com os países do G-8 [grupo de países mais industrializados, mais a Rússia]. Temos claro não ser mais possível excluir as principais economias emergentes das discussões sobre temas prioritários da agenda internacional —, disse.
O presidente disse que é preciso construir uma sólida parceria na Organização das Nações Unidas (ONU), a fim de que seu Conselho de Segurança se torne "mais representativo da realidade contemporânea, com países desenvolvidos e em desenvolvimento das várias regiões do mundo entre seus membros permanentes".
A presidente da Índia concordou o o presidente brasileiro ao afirmar que "o conselho [de Segurança da ONU] precisa ser reformado para refletir melhor a realidade de hoje".
O presidente Lula chamou a atenção que a necessidade de se combater a fome no mundo só voltou a ganhar importância após a alta no preço dos alimentos.
— Foi necessário assistir a cenas dramáticas para que a comunidade internacional acordasse para a urgência de encontrar soluções definitivas aos desafios da pobreza —, afirmou o presidente.
Lula afirmou ainda que a comunidade internacional está mal equipada para enfrentar e resolver a fome no mundo.
O presidente defendeu a fabricação de biocombustíveis, afirmando que é uma alternativa que possibilita encontrar soluções equilibradas em termos ambientais, sociais e econômicos.
Os dois presidente assinaram termos de cooperação nas áreas de defesa civil, cultura, petróleo, gás natural, agricultura, ajuda humanitária e tratado de extradição.
A visita de Pratibha Patil ao Brasil é a primeira viagem que a presidente faz ao exterior desde sua posse, em 2007. Lula visitou a Índia em 2004 e 2007, e afirmou que voltará ao país no segundo semestre deste ano.
A Índia é o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e o Brasil o maior parceiro comercial da Índia na América Latina. No ano passado, o comércio bilateral registrou movimentação de US$ 3,1 bilhões, o que representa crescimento de cerca de 200% em relação a 2003.
Lula defende participação de emergentes nas discussões da agenda internacional
Quarta, 16 de Abril de 2008 às 13:31, por: CdB