O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira a democracia da Venezuela, reiterou a importância do país tornar-se membro pleno do Mercosul e evitou tomar partido na polêmica entre Hugo Chávez e o rei da Espanha, Juan Carlos de Bourbon.
— Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é. O que eu sei é que na Venezuela já tiveram três referendos, já tiveram três eleições, já tiveram quatro plebiscitos. O que não falta é discussão. Eu acho democracia é assim: a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo e o povo decide. Cabe a nós acatar o resultado —, disse Lula.
O presidente defendeu ainda menos debate sobre a política interna venezuelana.
— Precisamos apenas respeitar a autonomia e a soberania de cada país. Se nós dermos menos palpite nas regras do jogo dos outros países e olharmos o que nós estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando. Se a gente achar que a gente pode dar palpite em tudo, que só pode acontecer no mundo aquilo que a gente gosta, aquilo que a gente quer, nós seremos eternamente infelizes —, refletiu Lula.
O mal-estar entre Chávez e Juan Carlos ocorreu na última reunião da Cúpula Ibero-Americana, em Santiago do Chile. O presidente venezuelano tecia críticas ao ex-primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar, ao ser interpelado pelo rei que pediu para ele se calar.
Para Lula, não houve exagero de Chávez nem uma tentativa de humilhação por parte do espanhol. Lula citou o exemplo da última reunião do G8, grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia, que ocorreu na Alemanha, e teve a chanceler Angela Merkel como anfitriã.
— Como é que você pensa que são as reuniões do G8? Você acha que todo mundo chega lá, tem um protocolo, tem que rir na hora certa? Não. Fui agora em Berlim e disse ao G8 que do jeito que está a reunião, eu não tenho mais interesse de ir, que não estou disposto a ser tratado como cidadão de segunda classe. Ou nós fazemos uma reunião para discutir os problemas do mundo ou não fazemos —, afirmou.
O presidente conversou com os jornalistas após almoço oferecido ao presidente de Guiné Bissau, João Bernardo Vieira.
Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026
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