Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Lula defende compromisso dos países latino-americanos no combate à fome e pobreza

Terça, 13 de Janeiro de 2004 às 14:55, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira no discurso de encerramento dos trabalhos da Cúpula Extraordinária das Américas que é chegada a hora de resgatar e afirmar de uma vez por todas a primazia do interesse coletivo e da "coisa pública" no continente. Defendeu o compromisso dos países latino-americanos no combate à fome, à pobreza e à exclusão social.

O presidente brasileiro falou a seus homólogos sobre as experiências brasileiras em programas sociais como o Fome Zero, implantado em 2.369 municípios, microcrédito e de financiamento para a agricultura familiar. Mencionou que até o final de seu governo mais de 11 milhões de famílias pobres serão incorporadas ao Bolsa-Família, totalizando quase 50 milhões de pessoas. Ele declarou que está mais otimista após um ano de sua posse, porque o governo conseguiu recuperar a credibilidade, aprovar, em sete meses, as reformas da previdência e tributária, que pareciam impossíveis de serem feitas. Elogiou, também, os avanços que a economia brasileira têm alcançado.

- Estou otimista porque estamos reduzindo as taxas de juros dentro do Brasil, porque aumentamos as exportações, este ano bateremos um novo recorde da safra agrícola, passando de 122 milhões para 130 milhões de toneladas de grãos e porque temos mais dinheiro para investir em saneamento básico, habitação e porque nossa relação com a América do Sul talvez seja a melhor de toda a historia do pais - enfatizou o presidente.

Lula defendeu que a integração hemisférica seja feita pela via do diálogo político e da cooperação internacional para o desenvolvimento. - A estabilidade econômica foi pensada de costas para a justiça social. Uma exclusão secular ganhou maior dimensão na década passada. Trata-se de um modelo perverso que separou equivocadamente o econômico do social, opôs estabilidade a crescimento e divorciou responsabilidade e justiça. Devemos trabalhar com um novo conceito de desenvolvimento, em que a distribuição de renda não é mera conseqüência do crescimento, mas sua alavanca fundamental. Cabe ao Estado, em diálogo com a sociedade, traçar políticas para reduzir o fosso entre opulência e miséria -destacou.

O presidente mostrou-se desejoso de que se alcance a tão sonhada integração física de toda a América do Sul, com a consolidação, dentro de três anos, do Mercosul e com a participação de toda a América do Sul e Latina.

No próximo dia 30 de janeiro, o presidente Lula estará em Genebra, junto com o presidente da França, Jacques Chirac, e o Secretario Geral da ONU, Koffi Annan, para aprofundar idéias e convidar lideres mundiais a se engajarem no esforço global pelo desenvolvimento social do continente.

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