Em seu último compromisso antes de retornar ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou em Lisboa, nesta quarta-feira, da 10ª Cimeira Brasil e Portugal, que integra uma série de reuniões anuais para discussão de ações comuns dos dois países. Ele encerra na capital portuguesa uma semana de viagens que começou pela Rússia e passou pelo Catar, o Irã e a Espanha. O presidente desembarca em Portugal no momento em que o governo definiu várias ações para impedir os efeitos da crise econômica - que já atingiu a Grécia e, em menor escala, avança para Portugal e Espanha. Na véspera, o assunto dominou parte dos debates da 6ª Cúpula União Europeia, América Latina e Caribe, em Madri, na Espanha.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, apelou para que os portugueses e a comunidade internacional confiem na economia de Portugal. O apelo foi feito enquanto o Conselho de Ministros do país aprovava o Programa de Estabilidade e Crescimento, cuja meta é reduzir o déficit orçamentário de 9,3% e 7,3%. Além do programa, foram aprovadas outras medidas que visam a combater os avanços da crise. As medidas incluem a racionalização e o saneamento financeiro das empresas públicas, a redução de 5% nos salários dos cargos políticos e de gestores públicos, sobretaxas a lucros tributáveis acima de 2 milhões de euros, assim como operações de crédito ao consumo.
Elogios
Na noite passada, o presidente Lula se despediu da Espanha após receber o prêmio Nueva Economía Fórum 2010. Durante a cerimônia, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, não pouparam elogios ao estadista brasileiro. Barroso chegou a dizer que era "espantoso" o índice de popularidade de Lula, que reconheceu a dificuldade para chegar aos 83% de aceitação popular. O político petista, no entanto, atribuiu os méritos ao "povo brasileiro".
– Mais importante do que os números das pesquisas de opinião é eu ter despertado no mais humilde dos brasileiros a certeza de que pode e deve chegar à Presidência da República – disse, acrescentando que, para vencer o desafio, "é só se preparar".
O discurso de Lula lembrou sua trajetória política desde quando ele percebia o tom desconcertante dos políticos estrangeiros, que evitavam encontros ou mesmo de aparecer em fotografias ao seu lado, até à imagem de presidente multi-ideológico, como ele se auto-define na entrevista concedida ao diário conservador espanhol El País, publicada há pouco mais de uma semana.
Segundo o presidente, ele é na verdade um "multi-classista".
– Nunca os empresários ganharam tanto dinheiro como no meu governo; 99% dos acordos salariais resultaram em aumentos reais; e os pobres nunca tiveram um tratamento tão humano e civilizado – acrescentou.
Quanto à vitória da diplomacia brasileira, no Irã, o presidente fez apenas uma breve referência, dizendo que, em Teerã, colocou em prática a regra que de que "é conversando que a gente se entende".
– É preciso entender a posição dos outros – concluiiu.