Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Lula dará espaço ao PMDB, mas rejeita Garotinho

Na conversa de duas horas que teve nesta quinta-feira com a cúpula governista do PMDB, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ampliar o espaço do partido em seu governo. (Leia Mais)

Sexta, 21 de Janeiro de 2005 às 08:21, por: CdB

Na conversa de duas horas que teve nesta quinta-feira com a cúpula governista do PMDB, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ampliar o espaço do partido em seu governo. Fez apenas uma exigência aos peemedebistas em relação à reforma ministerial que ele só realizará depois da eleição dos presidentes da Câmara e Senado, em 14 de fevereiro: não quer negociar mais nada com a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus (PMDB), nem com o marido dela, Anthony Garotinho.

- Não tenho mais nenhuma esperança de entendimento com Garotinho - disse Lula ao presidente do Congresso, José Sarney (AP), e aos líderes no Senado, Renan Calheiros (AL), e na Câmara, José Borba (PR), todos do PMDB.

Garotinho, que teria o controle dos votos de 13 deputados do PMDB fluminense, entrou na lista negra do Planalto depois de ter comunicado ao partido que seus seguidores não votarão no candidato oficial do PT a presidente da Câmara, deputado Luiz E duardo Greenhalgh (SP).

Lula, que decidira adiar a reforma ministerial justamente para evitar que as mudanças interfiram na sucessão do Congresso e dificultem ainda mais a vida de Greenhalgh, já teria dado o troco a Garotinho mandando o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, desautorizar a antecipação de R$ 350 milhões de pagamento de royalties de petróleo ao governo do Rio. O pagamento havia sido negociado pela cúpula do PMDB com o Planalto.

- Não vou abrir esse grave precedente de governar e negociar sob pressão - afirmou Lula, segundo um dos presentes.

Apesar do veto a Garotinho, o presidente definiu a relação cooperativa que deseja manter com outros governadores do PMDB. O primeiro lembrado foi o gaúcho Germano Rigotto, a quem Lula se referiu como "um homem de bem".

Ao contrário da governadora Rosinha, que prega o rompimento com o Executivo federal em apoio ao marido, candidato ao Planalto contra a reeleição de Lula em 2006, Rigotto tem defendido a entrega dos cargos ao governo federal pelo PMDB, mas sem o partido a bandonar a base de sustentação do governo no Congresso.

Os peemedebistas disseram ter ouvido de Lula que compreende as dificuldades do Rio Grande do Sul e que recomendara a Palocci que tratasse bem o Estado. Lula disse confiar também nos governadores peemedebistas Luiz Henrique, de Santa Catarina, e Roberto R equião, do Paraná.

Segundo dirigentes do PMDB, a iniciativa da reunião foi do presidente Lula, que na semana passada propôs a Sarney e Calheiros uma conversa sobre a reforma ministerial. José Borba foi chamado na última hora.

Assim que soube que estava fora da lista de convidados, ainda na noite de quarta-feira, o deputado tratou de avisar aos dois senadores que a bancada da Câmara não acataria nenhum eventual acerto com o Planalto se não houvesse um representante seu na conversa desta quinta-feira.

Como o aviso incluía não só a reforma ministerial, mas também os interesses do governo na eleição de Greenhalgh, Sarney agiu rápido. Acionou o ministro da Casa Civil, José Dirceu, que telefonou cedo para Borba e lhe fez o convite oficial para a reunião.

O presidente falou de sua intenção de abrir mais espaço ao partido no Executivo federal e agradeceu a contribuição positiva das bancadas do PMDB na Câmara e Senado durante seu governo. Mas não deixou claro se optará por conceder à legenda um terceiro ministério, além de Comunicações e Previdência Social, ou fortalecer as estruturas já comandadas por peemedebistas.

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