Rio de Janeiro, 23 de Fevereiro de 2026

Lula critica políticos que 'exigem' distribuição da CPMF

Terça, 16 de Outubro de 2007 às 13:38, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira a posição dos políticos que exigem a distribuição da receita gerada pela CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) para governos estaduais e municipais em troca do apoio à prorrogação do imposto no Congresso.

Durante uma entrevista coletiva concedida à imprensa brasileira durante sua vista ao Congo, Lula disse que a postura desses políticos não é compatível com o discurso de quem quer acabar com a CPMF.

Segundo o presidente, se a receita for dividida com os governos dos estados e municípios, “politicamente nunca vai ser possível acabar com a CPMF” - em uma possível referência ao caráter supostamente provisório da receita.

— Sairá caro se (a CPMF) não for aprovada. Quero ver quem, no planeta, teria condições de governar prescindindo de uma receita de R$ 40 bilhões —, disse o presidente, em referência ao montante arrecadado pelo governo com a CPMF.

— Todos os senadores, com raríssimas exceções, já votaram a CPMF pelo menos uma vez e deveriam reler os discursos que fizeram há quatro ou oito anos para ver a justificativa que deram na época para o seu voto a favor da medida —, afirmou.

— Espero que quando um senador votar contra diga de onde tirar os R$ 40 bilhões —, declarou.

O presidente acredita que assim como a prorrogação foi aprovada na Câmara dos Deputados, onde também era considerada complicada, ele espera que passe no Senado também.

— Mas os senadores decidirão, e o que for decidido será respeitado —,disse Lula.

Ao ser questionado sobre uma eventual disputa no Senado para escolher o novo presidente da Casa, após o pedido de licença do senador Renan Calheiros, Lula disse que “em hipótese nenhuma” interfirá nessa disputa.

O presidente disse que em princípio, Renan tirou uma licença de 45 dias e retomaria o posto após esse período, então não poderia comentar as possíveis articulações em torno de nomes para substituí-lo.

Lula afirmou, porém, que “a lógica do Congresso Nacional é de que quando um partido tem a presidência da Câmara, outro tem a presidência do Senado”, o que em princípio excluiria a possibilidade da eleição do atual presidente interino da Casa, o senador Tião Viana, do PT, se efetivar no posto, já que o partido já tem a presidência da Câmara.

O presidente disse manter a posição que mantinha quando no começo da crise, há quatro meses.
— O problema surgiu dentro do Senado e a solução virá de dentro do Senado —, afirmou.

Ele afirmou considerar os senadores “politicamente calejados, que conseguirão encontrar uma solução para a disputa”, mas advertiu de que eles devem também levar em conta o bom momento por que passa o Brasil para evitar prejudicar o país.

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