Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Lula critica política norte-americana de combate ao terror

O combate ao terrorismo não pode ser feito com a supressão de conquistas civilizatórias relacionadas com os direitos humanos, especificamente com os direitos humanos de pessoas presas, e não se pode combater a barbárie cometendo outra barbárie, em uma clara referência à política norte-americana. (Leia Mais)

Domingo, 09 de Dezembro de 2007 às 13:22, por: CdB

O combate ao terrorismo não pode ser feito com a supressão de conquistas civilizatórias relacionadas com os direitos humanos, especificamente com os direitos humanos de pessoas presas, e não se pode combater a barbárie cometendo outra barbárie, em uma clara referência à política norte-americana. Este foi o principal recado contido na mensagem enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos participantes da 1ª sessão de trabalho da Conferência Internacional Aliança das Civilizações, Interculturalismo e Direitos Humanos, que ocorre até a tarde desta segunda-feira, na Zona Sul do Rio.

- Condenamos veementemente a resposta à barbárie com a barbárie: que diferença há entre atentados terroristas que ceifam vidas inocentes e prisioneiros mantidos vendados, acorrentados sem saber do que são acusados e sem o mínimo direito à defesa? - questionou Lula.

A mensagem foi lida durante a sessão de abertura dos trabalhos pelo ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Para o ministro, o encontro se insere no contexto de outras iniciativas voltadas para o diálogo entre culturas, religiões, povos e países, na perspectiva de uma paz fundada no desenvolvimento e justiça social.

- É um espaço onde intelectuais e políticos refletem os grandes desafios que se colocam hoje para a humanidade, principalmente no campo social - disse Patrus Ananias.

Na mensagem, o presidente disse que eventos como esse, em que dialogam diferentes culturas - o Ocidente e o Oriente – propiciam oportunidades para o entendimento, para um mundo em paz, sem guerras, em que haja respeito às diferenças culturais.

- Não existem culturas superiores e inferiores, religiões superiores e inferiores, visões de mundo superiores e inferiores. Esses conceitos foram superados há pelo menos um século - afirma o presidente. Ele lembra a linha adotada pela política externa do seu governo de maior aproximação com a África e com o Oriente e reafirma o posicionamento “claro e firme” do país em favor do diálogo em vez da força e pela pena em lugar da espada.

A Conferência Internacional Aliança das Civilizações começou neste sábado. Organizado pela Universidade Cândido Mendes, Fundación Cultura e Paz, pela Secretaria Geral Ibero-Americana e Academia da Latinidade - com o apoio dos Ministérios das Relações Exteriores do Brasil e da Espanha -, o evento reúne autoridades como o secretário-geral da Cúpula Ibero-Americana, Enrique Iglesias, e o secretário executivo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), José Luis Machinea.

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