Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva começou, de fato, as comemorações de fim de ano. Na noite desta segunda-feira, Lula participou de um jantar de confraternização com a bancada governista do Rio Grande do Sul no Congresso e, ao longo desta semana, os compromissos tendem a se multiplicar. O encontro aconteceu no setor de Mansões Don Bosco, bairro nobre de Brasília, próximo ao Lago Sul, com a presença da bancada gaúcha do PT, além dos ministros Tarso Genro (Educação) e Olívio Dutra (Cidades). Pouco antes, o presidente havia participado da celebração de Natal com os funcionários da Presidência da República, ocasião em que criticou a divulgação de pesquisas sobre a fome no país.
Semana passada, o IBGE divulgou que 40,6% dos brasileiros estão obesos e o presidente do Instituto, Eduardo Pereira Nunes, disse, na ocasião, que a pobreza não se manifesta no país por meio da fome, mas sim em termos de qualidade de vida e de desigualdade de rendimentos.
- A fome quem sente é quem passa fome, e nem todo mundo que passa fome reconhece que passa fome. Pode colocar o Ibope, o Datafolha, o Vox Populi, pode colocar todos os institutos de pesquisa para saber se as pessoas estão com fome e possivelmente o resultado seja negativo. Negativo, dizendo que todo mundo come bem. Não é todo ser humano que reconhece que passa fome. As pessoas têm vergonha. As pessoas não sentem orgulho de dizer: "Eu passo fome. Eu não comi as calorias e proteinas necessárias" - afirmou o presidente.
Lula reiterou a disposição de dar prioridade ao combate à fome em 2005 e disse que o Programa Fome Zero somente será desativado pelo governo federal depois que todos os brasileiros puderem fazer três refeiçoes por dia:
- O dia que eu tiver certeza de que todas as crianças estão tomando café de manhã, almoçando e jantando, não precisa ter programa Fome Zero mais. Nós vamos continuar com a mesma força, com o mesmo vigor, tentando cumprir a meta que estabelecemos de atender as 11,4 milhões de famílias que, segundo o próprio IBGE, não têm condições de comer as calorias necessárias. Quando atingirmos esse número, aí vamos ver se precisamos dar mais ou precisamos diminuir.
Segundo Lula, o governo não tem interesse de manter a Bolsa Família a longo prazo.
- Deus queira que um dia ninguém precise mais do Bolsa-Família, do cartão do Fome Zero, que todas as pessoas estejam trabalhando e comendo à custa do seu trabalho - ressaltou.
Críticas
Um dos mentores do programa Fome Zero e ex-assessor da Presidência da República, Frei Beto, também criticou, nesta terça-feira, os dados divulgados pelo IBGE segundo os quais 40,6% da população sofrem de obesidade e a pobreza não se manifesta mais por meio da fome, e sim na qualidade de vida e desigualdade de rendimentos.
- Quando falamos de obesidade, precisamos lembrar de outro dado que me impressionou muito andando Brasil afora. Dizia que a fome no Brasil é gorda. Ao contrário da fome na África, que é esquálida. Aqui, quem anda pelo interior vê muita criança barriguda de verme porque tem fome. A gente vê muita gente obesa porque tem distúrbios glandulares. Tem hipertensão em decorrência da má nutrição. E o dado que foi divulgado não incluía crianças e jovens, só adultos. Infelizmente o Fome Zero é ainda um desafio para todos nós brasileiros - ponderou.
Na avaliação de Frei Beto, a população hoje confunde o verdadeiro sentido do Natal - especialmente diante da realidade de fome que assola o país.
- Infelizmente, há muita fome no país. Num país em que 40% da população não tem renda per capita superior a R$ 5, não vamos dizer que isso dá para ter uma boa qualidade de vida. Basta ver os índices da mortalidade infantil para constatar lamentavelmente que o Fome Zero merece ser a prioridade do governo - afirmou.
Agenda
O ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Anan