Rio de Janeiro, 26 de Maio de 2026

Lula critica "cabeça colonizada que não gosta de independência"

Segunda, 16 de Maio de 2005 às 08:23, por: CdB

Em seu programa Café com o Presidente desta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu às críticas quanto ao número de viagens que tem feito desde que assumiu o cargo.

- Tem um tipo de gente com a cabeça colonizada, que parece que não gosta de independência, que acha que o Brasil só pode estar subordinado à política dos Estados Unidos ou à política da União Européia - afirmou. Segundo Lula, o país quer "ter a mais extraordinária parceria com os Estados Unidos e com esse grupo fortíssimo que é a União Européia", mas precisa ter uma forte relação com a China, Índia, Rússia, África do Sul, México.

Para Lula, no mundo globalizado, um país com o potencial produtivo do Brasil, tanto na indústria quanto na agricultura, não pode ficar esperando que as pessoas o venham descobrir. "Isso Cabral já fez em 1500. O que nós precisamos agora é descobrir países que tenham potencial de comprar mais e vender mais para o Brasil", afirmou.

- O povo brasileiro já tem uma nítida noção do resultado da nossa política internacional, da nossa política externa - disse Lula. Ele destacou que, para o Brasil, o maior benefício das viagens é o superávit da balança comercial.

- Nós tínhamos vindo de sete anos consecutivos de déficit na nossa balança comercial. A partir de 2002, começaram a crescer um pouco as nossas vendas mais do que as nossas compras. Hoje temos uma exportação, em 12 meses, praticamente de US$ 104 bilhões, temos um superávit praticamente de US$ 37 bilhões, o que é o saldo maior da história do Brasil falando percentualmente -.

O presidente lembrou também que o comércio com os países africanos aumentou 48%, com o Oriente Médio aumentou mais de 50% e com a América do Sul, cresceu 58%. "A resposta melhor que eu tenho às críticas é o resultado da nossa balança comercial, das nossas exportações, das nossas reservas", afirmou.

Lula garantiu ainda que "vamos desenvolver o nosso continente porque nós não nascemos pra ser pobre a vida inteira. O povo brasileiro já tem consciência de que ficar sentado numa cadeira esperando que alguém nos descubra já era. Ou nós somos ousados, corajosos, colocamos os nossos produtos embaixo do braço e saímos pelo mundo vendendo ou nós perderemos essa guerra num mundo globalizado".
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