O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, na capital salvadorenha, que a atual crise financeira global é sistêmica e não será resolvida sem a participação dos países em desenvolvimento.
Em seu discurso na sessão plenária de chefes de Estado e de governo da 18a Cúpula Ibero-Americana, em El Salvador, Lula destacou que os atuais mecanismos internacionais foram incapazes de prever a crise e também não estão conseguindo resolver as suas consequências.
- É preciso refundar os mecanismos de governança global, com maior participação dos países em desenvolvimento. É diante das crises que a nossa capacidade de inovar é posta à prova - defendeu Lula em discurso.
Lula acrescentou que os países emergentes não podem ser excluídos dos processos decisórios, pois muitas vezes são os mais atingidos.
- É também necessário repensar os organismos financeiros internacionais, conferindo-lhes a indispensável capacidade regulatória - propôs, dizendo que todos os países são vítimas dos que "especulam com esperanças e vendem ilusões".
O presidente mencionou a reunião extraordinária do Mercosul sobre a crise, na última segunda-feira, em Brasília, e insistiu na tese de que a resposta mais correta às turbulências é maior integração e menos subsídios.
- Por isso continuamos a apostar na conclusão rápida e exitosa da Rodada de Doha - disse Lula. "Interna como internacionalmente, precisamos encontrar respostas que estimulem a economia real e promovam o crescimento."
PAC mantido
Lula também afirmou que o país vai manter o plano de investimentos de 504 bilhões de reais até 2010 previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apesar da turbulência causada pela crise financeira internacional.
- Não podemos permitir que esta crise econômica, fabricada por especuladores que transformaram a economia e o sistema financeiro em um cassino, venha a proibir que um país faça os investimentos que tem que fazer - disse.
Lula chegou na noite de quarta-feira a San Salvador para o encontro do qual participam outros líderes de países da América Latina, como os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e do México, Felipe Calderón.
Lula segue nesta quinta-feira para Cuba, onde discute acordos de energia com o presidente Raúl Castro. Ele deve visitar Fidel Castro, que não é visto em público desde julho de 2006, pouco antes de deixar o poder por problemas de saúde.