Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

Lula convoca PT a reagir contra cerco promovido pela direita fascista

Por Gilberto de Souza - Ou o PT refaz sua aliança com os movimentos populares ou corre o risco de sofrer sua pior derrota nas eleições do ano que vem e em 2018. A assertiva foi repassada, na noite desta segunda-feira, em São Paulo, aos presidentes dos diretórios da legenda no governo federal e em cinco Estados da Federação, durante encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Terça, 31 de Março de 2015 às 09:15, por: CdB
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Ao lado de Lula (E), Falcão falou aos presidentes de diretórios regionais durante encontro, em São Paulo Sorrentino, ao microfone, com o presidente nacional do PSB, , Maria Prestes, viúva do legendário líder comunista Luiz Carloso Prestes, e Batista (D, ao fundo): "O país corre o risco de um golpe fascista"
Ou o PT refaz sua aliança com os movimentos populares ou corre o risco de sofrer sua pior derrota nas eleições do ano que vem e em 2018. A assertiva foi repassada, na noite desta segunda-feira, em São Paulo, aos presidentes dos diretórios da legenda no governo federal e em cinco Estados da Federação, durante encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Rio, durante jantar promovido pela direção estadual do Partido Comunista do Brasil em comemoração aos 93 anos de atividades da legenda que integra a base aliada, o prefeito de Maricá e presidente do PT fluminense, Washington Quaquá, transmitiu a preocupação de Lula quanto aos rumos políticos do país. – Há uma campanha de ódio contra o PT e não vamos assistir, passivamente, ao avanço das forças da direita, contrárias aos avanços sociais conquistados ao longo dos últimos 12 anos. É preciso reunir os movimentos sociais, os partidos de esquerda, como o PCdoB, levantar a cabeça e ir à luta. Na reunião que tivemos com o ex-presidente Lula, há algumas horas, ele foi claro ao afirmar que o PT não pode ficar acuado diante dessa agressividade odiosa – disse, em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil. Quaquá, que conversa com o governador do Estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, sobre uma nova aliança entre o PT e o PMDB, aposta na união das esquerdas como forma de combater o avanço do conservadorismo na sociedade brasileira. – O momento é de conversarmos e tratar de uma agenda ampla, capaz de aglutinar a militância de esquerda para conter o movimento retrógrado que cresceu, no país, ao longo dos últimos meses – afirmou, durante a reunião do PCdoB, à qual compareceu logo após a chegada do encontro com o ex-presidente Lula. De casa nova
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Entre os discursos após o jantar do PCdoB, no Rio, o líder socialista Roberto Amaral, convidado à reunião, foi direto ao identificar uma crise no país, "de dimensões maiores do que aquela que antecedeu o golpe de Estado, em 1964". Em linha com o ex-presidente Lula, Amaral acredita que há um movimento concatenado por conservadores de vários matizes com o único objetivo de impedir que a presidenta Dilma Rousseff consiga governar o país. Amaral chegou a apontar a imposição de um "parlamentarismo de facto" no Congresso. – Os principais líderes na Câmara e no Senado deram um golpe no presidencialismo ao impor o parlamentarismo à presidenta Dilma, que faz um governo fraco – afirmou. Líderes do PCdoB, durante a reunião, também ressaltaram a importância de uma coesão entre as forças de esquerda no país, "sob pena de uma tentativa de golpe por parte da direita fascista", como afirmou o médico Walter Sorrentino, secretário nacional de Organização do PCdoB. O ponto de vista de Sorrentino foi reforçado, ainda, no discurso do também dirigente nacional do Partido e presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Manuel Rebelo Fernandes. Na abertura do encontro, o presidente regional do PCdoB, João Batista Lemos, realçou a necessidade de se ampliar a base de atuação da legenda, no Estado do Rio com a aquisição de uma sede própria, destinada aos encontros da militância e fundamental para a realização de cursos e seminários políticos destinados à formação de novos quadros para o Partido. – A entrada nós já temos, que é um apartamento doado ao Partido pela saudosa líder Elza Monerat. Agora vamos nos mobilizar para, após 93 anos de existência, conseguir atingir essa meta – afirmou Batista. Pé na estrada Aos dirigentes petistas, na capital paulista, Lula também argumentou que a legenda devem ampliar suas alianças com os movimentos de base e as centrais sindicais, em apoio às manifestações dos trabalhadores. Presidente estadual do PT paulista, Emídio de Souza, adiantou que Lula retomará suas viagens aos quatro cantos do país: – Ele pediu para militar, buscar nos Estados e municípios o apoio. Pediu para cuidarmos da base social do partido, que é quem votou na gente. Durante o encontro, os representantes estaduais do PT aprovaram o Manifesto dos Diretórios Regionais, que reforça a importância do 5º Congresso Nacional da agremiação política para o seu fortalecimento. No documento, os dirigentes estaduais petistas apoiam as bandeiras tradicionais da esquerda para reaproximar o partido, e consequentemente, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), à sua base social. Em seu microblog, no Twitter, o presidente do PT, Rui Falcão, escreveu logo após o encontro: "Apesar do ódio que destilam contra nós, continuaremos a amar o Brasil e a lutar por um país melhor. #OrgulhodeserPT". Leia a seguir, na íntegra, o manifesto divulgado pelo PT: Manifesto dos DRs Nunca como antes, porém, a ofensiva de agora é uma campanha de cerco e aniquilamento. Como já propuseram no passado, é preciso acabar com a nossa raça. Para isso, vale tudo. Inclusive, criminalizar o PT — quem sabe até toda a esquerda e os movimentos sociais. Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguemnos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades. Não toleram que, pela quarta vez consecutiva, nosso projeto de País tenha sido vitorioso nas urnas. Primeiro com um operário, rompendo um preconceito ideológico secular; em seguida, com uma mulher, que jogou sua vida contra a ditadura para devolver a democracia ao Brasil. Maus perdedores no jogo democrático, tentam agora reverter, sem eleições, o resultado eleitoral. Em função dos escândalos da Petrobrás, denunciados e investigados sob nosso governo -– algo que não ocorria em governos anteriores –, querem fazer do PT bode expiatório da corrupção nacional e de dificuldades passageiras da economia, em um contexto adverso de crise mundial prolongada. Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores, nos marcos do Estado Democrático de Direito. E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras. O PT precisa identificar melhor e enfrentar a maré conservadora em marcha. Combater, com argumentos e mobilização, a direita e a extrema-direita minoritárias que buscam converter-se em maioria todas as vezes que as 2 mudanças aparecem no horizonte. Para isso, para sair da defensiva e retomar a iniciativa política, devemos assumir responsabilidades e corrigir rumos. Com transparência e coragem. Com a retomada de valores de nossas origens, entre as quais a ideia fundadora da construção de uma nova sociedade. Ao nosso 5º Congresso, já em andamento, caberá promover um reencontro com o PT dos anos 80, quando nos constituímos num partido com vocação democrática e transformação da sociedade – e não num partido do “melhorismo”. Quando lutávamos por formas de democracia participativa no Brasil, cuja ausência, entre nós também, é causa direta de alguns desvios que abalaram a confiança no PT. Nosso 5º Congresso, cuja primeira etapa será aberta, a fim de recolher contribuições, críticas e novas energias de fora, deverá sacudir o PT. A fim de que retome sua radicalidade política, seu caráter plural e não- dogmático. Para que desmanche a teia burocrática que imobiliza direções em todos os níveis e nos acomoda ao status quo. O PT não pode encerrar-se em si mesmo, numa rigidez conservadora que dificulta o acolhimento de novos filiados, ou de novos apoiadores que não necessariamente aderem às atuais formas de organização partidária. Queremos um partido que pratique a política no quotidiano, presente na vida do povo, de suas agruras e vicissitudes, e não somente que sai a campo a cada dois anos, quando se realizam as eleições. Um PT sintonizado com nosso histórico Manifesto de Fundação, para quem a política deve ser “ atividade própria das massas, que desejam participar, legal e legitimamente, de todas as decisões da sociedade”. Por isso, “o PT deve atuar não apenas no momento das eleições, mas, principalmente, no dia-a-dia de todos os trabalhadores, pois só assim será possível construir uma 3 nova forma de democracia, cujas raízes estejam nas organizações de base da sociedade e cujas decisões sejam tomadas pelas maiorias”. Tal retomada partidária há de ser conduzida pela política e não pela via administrativa. Ela impõe mudanças organizativas, formativas, de atitudes e culturais, necessárias para reatar com movimentos sociais, juventude, intelectuais, organizações da sociedade – todos inicialmente representados em nossas instâncias e hoje alheios, indiferentes ou, até, hostis em virtude de alguns erros políticos cometidos nesta trajetória de quase 35 anos. Dar mais organicidade ao PT, maior consistência política e ideológica às direções e militantes de base, afastar um pragmatismo pernicioso, reforçar os valores da ética na política, não dar trégua ao “cretinismo” parlamentar – tudo isso é condição para atingir nossos objetivos intermediários e estratégicos. Em concordância com este manifesto, nós, presidentes de Diretórios Regionais de 27 Estados, propomos: 1. Desencadear um amplo processo de debates, agitação e mobilização em defesa do PT e de nossas bandeiras históricas; 2. Defesa do nosso legado político-administrativo e do governo Dilma; 3. Participar e ajudar a articular uma ampla frente de partidos e setores partidários progressistas, centrais sindicais, movimentos sociais da cidade e do campo, unificados em torno de uma plataforma de mudanças, que tenha no cerne a ampliação dos direitos dos trabalhadores, da reforma política, da democratização da mídia e da reforma tributária; 4. Apoiar o aprofundamento da reforma agrária e do apoio à agricultura familiar; 5. Orientar nossa Bancada a votar o imposto sobre grandes fortunas e o projeto de direito de resposta do senador Roberto Requião, ambos em tramitação na Câmara dos Deputados; 6. Apoiar iniciativas para intensificar investimentos nas grandes e médias cidades, a fim de melhorar as condições de saneamento, habitação e mobilidade urbana; 7. Buscar novas fontes de financiamento para dar continuidade e fortalecimento ao Sistema Único de Saúde; 8. Apoiar uma reforma educacional que corresponda aos objetivos de transformar o Brasil numa verdadeira Pátria Educadora; 9. Levar o combate à corrupção a todos os partidos, a todos os Estados e Municípios da Federação, bem como aos setores privados da economia; 10. Lutar pela integração política, econômica e cultural dos povos da América, por um mundo multipolar e pela paz mundial. O momento não é de pessimismo; é de reavivar as esperanças. A hora não é de recuo; é de avançar com coragem e determinação. O ódio de classe não nos impedirá de continuar amando o Brasil e de continuar mudando junto com nosso povo. Esta é a nossa tarefa, a nossa missão. É só querer e, amanhã, assim será! São Paulo, 30 de março de 2015
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