O presidente Luiz Inácio Lula da Silva planejava, na manhã desta segunda-feira, conversar com a colega argentina, Cristina Kirchner, sobre a escalada dos discursos bélicos no norte do continente. Lula teria determinado ao ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) que contatasse autoridades equatorianas e da Colômbia para conhecer, em detalhes, o conflito diplomático entre os dois países. Amorim, em reunião com o presidente, à tarde, fez um relato sobre o assunto.
O governo da Colômbia afirmou neste domingo ter encontrado informações sobre supostas ligações do governo do presidente do Equador, Rafael Correa, com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em computadores que pertenciam a Raúl Reyes, porta-voz da guerrilha que foi morto em operação militar no sábado.
A morte de Reyes, considerado o número 2 das Farc, ocorrida do lado equatoriano da fronteira com a Colômbia, gerou neste domingo uma crise diplomática sem precedentes entre a Colômbia e seus dois principais vizinhos: a Venezuela e o Equador.
Em uma entrevista coletiva, o general Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional colombiana, disse que os documentos encontrados nos computadores "permitem falar de um relacionamento estrutural das Farc tanto na Venezuela quanto no Equador", sendo que, no último caso, o relacionamento "está suportado por decisões oficiais do governo equatoriano".
O vice-ministro da Defesa do Equador, Miguel Carvajal, classificou como "bravatas" as acusações colombianas sobre os vínculos com as Farc. Entrevistado pela rádio colombiana Caracol, ele disse não saber de onde "tiram isso".
As declarações sobre os supostos vínculos do Equador com a guerrilha foram feitas após a expulsão do embaixador colombiano Carlos Holguín em Quito e a retirada de seu embaixador em Bogotá, Francisco Suéscum. Além de expulsar o embaixador, o presidente Rafael Correa também enviou tropas para a fronteira com a Colômbia.
Ao chegar a Quito neste domingo, após ser chamado para consultas por Correa, o embaixador colombiano Francisco Suéscum qualificou o ataque colombiano de "ato de guerra".
- As relações (entre Equador e Colômbia) ficam muito afetadas por um ato desta natureza, que não esperávamos desde nenhum ponto de vista - acrescentou Suéscum.
O embaixador disse que a atitude do presidente Correa é "um ato de legítima defesa da dignidade e da soberania do país que foi violada por este atropelo cometido pelas Forças Armadas da Colômbia".
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, também fechou, neste domingo, a embaixada da Venezuela em Bogotá e enviou dez batalhões de tanques para a fronteira entre os dois países.
Pedido de desculpas
A decisão de Correa ocorreu pouco depois de receber uma nota da chancelaria colombiana com um pedido de desculpas pela entrada em seu território de helicópteros colombianos que recolheram o corpo do líder guerrilheiro morto além de alguns de seus pertences, entre eles seus computadores pessoais.
- Decidi pela expulsão imediata do embaixador da Colômbia no Equador e também solicitei a imediata convocação do Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da CAN (Comunidade Andina de Nações) - disse Correa em uma mensagem transmitida pela TV.
Posteriormente, Correa disse que o Equador enviará uma nota diplomática de protesto sobre "as ações escandalosas que são uma agressão ao nosso território".
- O presidente colombiano ou estava mal informado ou mentiu audaciosamente ao presidente do Equador - disse Correa.
No sábado, Chávez advertiu a Colômbia para que não fizesse o mesmo na Venezuela, porque ele interpretaria o incidente como "um motivo para guerra".
No domingo, ele disse que enviaria caças russos para a Colômbia, caso as tropas invadissem a Venezuela. Chávez tem uma postura reconhecidam