O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai conversar por telefone, nesta sexta-feira, com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, na tentativa de convencer os dois europeus a reduzir os subsídios e as taxas de importação que, segundo o governo brasileiro, prejudicam o comércio com os países em desenvolvimento.
Segundo um assessor da presidência, Lula deixará claro que ficou frustrado com o impasse que levou o Brasil a se retirar das negociações na Rodada Doha, que indica fatores para a abertura do comércio mundial.
Na avaliação do governo brasileiro, Estados Unidos e União Européia não demonstraram boa vontade para reduzir subsídios e taxas de importação.
Lula foi informado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que estava na reunião do G-4 em Postdam, na Alemanha, de que Estados Unidos e União Européia não fizeram propostas significativas para melhorar o comércio com os países em desenvolvimento e, ao contrário, tentaram arrancar pesadas concessões nos setores industrial e de serviços.
Diante do impasse, Brasil e Índia decidiram deixar as negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
- Não houve disposição dos europeus e dos norte-americanos de, efetivamente, levar adiante o que era conhecida como negociação do desenvolvimento. Nestas circunstâncias, não há o que negociar. Eles fecharam um acordo entre eles - disse o assessor para assuntos internacionais da presidência, Marco Aurélio Garcia.
De acordo com Aurélio Garcia, o governo brasileiro apostará nas negociações entre o Mercosul e a União Européia. E rebateu as declarações do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que culpou Brasil e Índia pelo fracasso das negociações de Doha.
- Ele [Bush] não está assumindo a parte dele, o que é compreensível em ano eleitoral - ironizou.
Sem negociação
As negociações da Rodada de Doha para liberalização do comércio mundial se arrastam há sete anos.
À frente do G-20, que reúne as economias em desenvolvimento, o Brasil defende que a União Européia efetue um corte de 75% nas tarifas mais altas impostas pelos europeus aos produtos agrícolas importados dos países pobres.
Quer ainda que os Estados Unidos estabeleçam em cerca de US$ 12 bilhões anuais os subsídios concedidos à produção agrícola.
Estados Unidos e União Européia exigem, por outro lado, cortes significativos nas taxas de importação dos produtos industriais.