Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Lula considera golpe em Honduras um precedente perigoso para democracia

Quarta, 01 de Julho de 2009 às 08:46, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante viagem à Líbia que o golpe que retirou o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, do poder é um precedente perigoso e não será aceito pelo restante da América Latina.

– Não aceitamos a volta dos golpes na América Latina. Tivemos a experiência dos golpes militares durante os anos 1960 do século passado – disse Lula.

Zelaya foi expulso de Honduras pelos militares no domingo após ter tentado modificar a Constituição para permitir a reeleição presidencial, uma medida que enfrentou oposição do Congresso, dos tribunais e das Forças Armadas. O golpe despertou a maior crise política na América Central em vários anos. Lula acrescentou que o governo brasileiro fará tudo que for possível para que a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo o retorno da democracia em Honduras seja estabelecida.

– A democracia significa que você pode retirar seu presidente de madrugada e colocar outro?. Esse é um precedente perigoso para a comunidade internacional como um todo. Nós deixamos de aceitar todas as formas de cooperação com Honduras, porque eles têm que respeitar o processo democrático – disse Lula.

O presidente deu essas declarações nesta capital, onde desembarcou na noite de terça-feira, antes de uma cúpula da União Africana que será realizada na cidade de Sirte, casa do líder da Líbia, Muammar Gaddafi. Lula disse que estava participando da reunião porque o Brasil está cada vez mais interessando nas relações econômicas com a África. Gaddafi foi eleito presidente da União Africana em fevereiro e tem usado seu mandato para reforçar o poder executivo do bloco.

A Líbia saiu recentemente de anos de isolamento e Gaddafi coroou a si próprio no ano passado o "Rei dos Reis" da África. O tema oficial da reunião em Sirte é o investimento na agricultura africana, mas os líderes participantes também vão discutir questões como os conflitos na Somália e no Sudão e as eleições em Guiné-Bissau e na Mauritânia.

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