Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Lula consagra Dilma como candidata do PT

No IV Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o principal cabo eleitoral da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, agora oficialmente a pré-candidata do Partido para a sucessão presidencial deste ano. Além de Lula, Dilma contou com o apoio incondicional do ex-ministro a quem sucedeu no cargo, José Dirceu, que retomou seu prestígio junto à militância petista, abalado desde 2005, quando teve seu mandato cassado durante o escândalo do propinoduto coordenado pelo publicitário Marcos Valério. (Leia Mais)

Sábado, 20 de Fevereiro de 2010 às 11:52, por: CdB

No IV Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o principal cabo eleitoral da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, agora oficialmente a pré-candidata do Partido para a sucessão presidencial deste ano. Além de Lula, Dilma contou com o apoio incondicional do ex-ministro a quem sucedeu no cargo, José Dirceu, que retomou seu prestígio junto à militância petista, abalado desde 2005, quando teve seu mandato cassado durante o escândalo do propinoduto coordenado pelo publicitário Marcos Valério.

"Aqueles que queriam acabar com a nossa raça, hoje estão se acabando". Com essa afirmação em seu discurso, no IV Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a força da militância do Partido, que comemora 30 anos de fundação, durante o ato de posse dos novos membros do Diretório Nacional do partido. O ato ocorreu na noite passada, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, quando foram empossados o novo presidente José Eduardo Dutra e os 81 membros do novo Diretório Nacional. O presidente destacou ainda as disputas internas do PT como um exemplo para o mundo.

– A grande virtude do PT é o debate de idéias na disputa interna entre as várias correntes do partido e esse aprendizado precisa ser socializado e repartido pelo mundo – afirmou.

Lula também reforçou também da integração política na América Latina.

– É importante que a gente faça no próximo período uma amarração com partidos e movimentos sociais de países latinoamericanos para que possamos ter uma verdadeira integração, política e ideológica. Existem duas coisas que eu quero fazer após deixar a presidência: trabalhar  fortemente por essa integração e atuar para uma integração maior da América Latina com a África – enfatizou.

Ele finalizou sua fala saudando o novo presidente José Eduardo Dutra:

– Vocês todos vão se orgulhar muito deste companheiro na Presidência do partido.

O presidente também participou, nesta manhã, do lançamento da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência da República. Durante o evento, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que sua indicação é resultado da vontade de todo o PT.

– Ela é um projeto coletivo do conjunto do partido e assumido pelo conjunto do partido. Ela sempre enfrentou desafios, inclusive sempre enfrentou questionamentos da capacidade por ser uma pessoa de esquerda, por ser uma mulher – disse Padilha.

Segundo o ministro, Dilma permanecerá à frente da Casa Civil até o último momento possível antes que tenha que se desincompatibilizar para poder disputar a eleição em outubro. Padilha acredita que a permanência de Dilma no governo após o lançamento de sua pré-candidatura neste sábado não será um problema perante o Tribunal Superior Eleitoral.

– Nossos procedimentos são corretos, o TSE já viu isso. O governo não vai parar de governar – acrescentou.

Aliados

As alianças que o PT construirá com os partidos aliados oberdecerão a um código de conduta para as eleições de outubro nos Estados. O objetivo é evitar que possíveis conflitos regionais afetem a campanha da ministra Dilma, disse neste sábado o presidente da legenda, José Eduardo Dutra. A série de acordos firmados com os líderes políticos de outras legendas permitirá, por exemplo, a presença da candidata em palanques diversos nos Estados.

– Vamos construir coletivamente um acordo de procedimentos e analisar Estado por Estado. Será um acordo de procedimentos que irá se formar a partir da definição das candidaturas dos Estados – disse Dutra a jornalistas durante o congresso nacional do PT.

Prestígio

Figura marcante nos 30 anos de historia do PT, o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu aposta no crescimento da legenda no Congresso, a partir das próximas eleições.

– Quando deixar o governo, Lula terá outras tarefas além de ser ex-presidente da República. Um delas, que vou defender, é participar da construção do PT, do fortalecimento do PT – disse Dirceu a jornalistas durante o encontro deliberativo da legenda na sexta-feira.

Dirceu considerou o episódio do propinoduto coordenado pelo publicitário Marcos Valério, em 2005, como uma "verdadeira guerra", na qual ele foi um dos principais atingidos..

– O PT enfrentou uma guerra política de 2005 a 2008, isso tem efeito, mas o PT tem grande oportunidade de ampliar sua base eleitoral para as camadas populares e consolidar a aliança que fez com o pequeno e o médio empresários – afirmou.

A presença do PT na Câmara dos Deputados, principal medida da representação partidária, de acordo com cientistas políticos, passou de 91 parlamentares na eleição de 2002 para 83 em 2006. Para o ex-ministro, o objetivo é levar o PT, dos cerca de 18% que detém na Câmara para algo próximo de 30%. Com a eleição interna realizada no ano passado, Dirceu passou a ser integrante do novo Diretório Nacional do partido e foi mencionado em discurso de posse do novo presidente da legenda, José Eduardo Dutra, como exemplo de presidência a ser seguida.

Na menção a Dirceu, a plateia de mais de 3 mil militantes aplaudiu vigorosamente, superando as manifestações dadas a outros dirigentes que ocuparam o posto nos 30 anos da legenda completados este mês. O ex-ministro, no entanto, não ocupou o palco, que teve como principal estrela o presidente Lula.

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