Ao se dirigir à nação, no início da 11ª reunião ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se sentir traído. Lula disse que o governo e o PT devem "pedir desculpas" aos brasileiros. Ele saudou os novos ministros e lembrou que eles entram num governo que "cresce de maneira sustentável, gerando empregos no campo e nas cidades". Esta é a primeira reunião do presidente com a nova equipe, na residência oficial da Granja do Torto.
O discurso do presidente foi composto de uma parte escrita, na qual ele faz um balanço positivo de seu governo. No encerramento, de improviso, ele se refere de forma mais contundente à crise que "compromete todo o sistema partidário brasileiro".
- Em 1980, no início da redemocratização, decidi criar um partido novo, que viesse para mudar as práticas políticas, moralizá-las e tornar cada vez mais limpas as disputas eleitorais do nosso país. Ajudei a criar esse partido e, vocês sabem, perdi três eleições presidenciais e ganhei a quarta, mantendo-me sempre fiel a esses ideais. Tão fiel quanto sou hoje - afirmou o presidente.
Lula afirmou, ainda, que foi traído por integrantes do PT, embora não tenha citado nomes, mas afirmou também que afastou todos aqueles envolvidos nos escândalos que deram origem às CPMIs dos Correios e do Mensalão.
- Quero dizer a vocês, com toda franqueza. Eu me sinto traído. Traído por práticas inaceitáveis, das quais nunca tive conhecimento. Estou indignado pelas revelações que aparecem a cada dia e que chocam o país. O PT foi criado justamente para fortalecer a ética na política e lutar ao lado do povo pobre e das camadas médias do nosso país. Eu não mudei e tenho certeza, a mesma indignação que sinto é compartilhada pela grande maioria de todos aqueles que nos acompanharam nessa trajetória. Mas não é só. Esta é a indignação que qualquer cidadão honesto deve estar sentindo hoje diante da grave crise política. Se estivesse ao meu alcance, já teria identificado e punido exemplarmente os responsáveis por essa situação - afirmou o presidente.
Lula ressaltou que o país vive em plena normalidade política e a Polícia Federal investiga "a fundo" as denúncias de corrupção.
- Grande parte do que foi descoberto até agora, veio das investigações da Polícia Federal. E vamos continuar assim até o fim, até que todos os culpados sejam responsabilizados e entregues à Justiça. Mesmo sem prejulgá-los, afastei imediatamente os que foram mencionados em possíveis desvios de conduta para facilitar todas as investigações - lembrou.
O presidente também propôs a edição de uma reforma política para fazer frente aos desvios constatados nas práticas denunciadas de formação de caixa dois e lavagem de dinheiro no exterior nas contas do publicitário Marcos Valério. Lula também pediu mais esforços para evitar que a economia seja contaminada pela crise política.
- É obrigação do governo, da oposição, dos empresários, dos trabalhadores e de toda a sociedade brasileira não permitir que essa crise política possa trazer problema para a economia brasileira, para o crescimento desse país, para a geração de empregos e para a continuidade dos programas sociais. Temos que arregaçar as mangas e redobrar esforços - pediu o presidente.
No encerramento do discurso, Lula abandonou o discurso escrito e falou de improviso:
- Queria, nesse final, dizer ao povo brasileiro que eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas, porque o povo brasileiro, que tem esperanças, que acredita no Brasil e que sonha com o Brasil com uma economia forte, com crescimento econômico e distribuição de rendas, não pode, em momento algum, estar satisfeito com a situação que o país está vivendo. Quero dizer a vocês: não percam a esperança. Eu sei que vocês estão indignados e eu, certamente, estou tão ou mais indignado do que qualquer brasileiro e nós iremos