O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que o Brasil será o país menos afetado pela crise financeira. O argumento é que o sistema bancário nacional e as finanças estão sólidos, além de a política fiscal ser sóbria e serena. Mas ele afirmou que se a turbulência se agravar, informará a população e tomará as medidas necessárias, até mesmo cortando investimentos.
- O meu papel é passar serenidade para a sociedade brasileira, a verdade absoluta. Agora, na medida em que essa crise chegar ao Brasil e tiver implicação na redução dos investimentos ou que o governo tenha que reduzir investimentos, com a mesma serenidade que eu digo que o Brasil está num momento bom, eu vou dizer que a situação está agravada e vamos ter que fazer isso e aquilo, anunciar medidas - disse Lula, na primeira entrevista a sites brasileiros desde que assumiu a Presidência.
- É como se tivéssemos tomado uma vacina contra uma doença. Ela está demorando a chegar ao Brasil e se chegar, talvez, será numa proporção muito menor do que está chegando nos Estados Unidos, na Europa, no epicentro da crise, que estavam todos metidos na especulação financeira, com o subprime [tipo de hipoteca que deu origem à crise] - afirmou.
Segundo Lula, não há sinais de que os grandes bancos brasileiros tenham envolvimento no subprime. Conforme o presidente, o problema agora é de liqüidez – disponibilidade de dinheiro para ser sacado. “O nosso problema hoje é de liqüidez e nós queremos ajudar, sobretudo em se tratando de ajudar os exportadores brasileiros”, afirmou.
O presidente garantiu que não cortará dinheiro dos programas sociais ou do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
- Não vamos tirar nenhum centavo desse dinheiro - disse, a respeito dos programas sociais.
- Os investimentos nessa área é que garantem que o nosso mercado interno continue crescendo - afirmou.
Sobre o PAC, a intenção é manter todas as obras. “No Brasil, não temos ainda nenhum grande projeto que sofreu qualquer arranhão. A decisão do governo é manter todas as obras do PAC, de infra-estrutura”.
Lula voltou a defender que é preciso haver supervisão do mercado financeiro, recomendação dada aos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, que participam de reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, nos Estados Unidos.
- Você não pode permitir que alguém possa financiar aquilo que não tem, ou se alguém está financiando uma coisa, que tenha suporte para pagar em momentos de crise - justificou.
- Os bancos centrais, o FMI, o Banco Mundial, todos aqueles que podem ter interferência precisam começar a bater o bumbo nessa direção para que a gente normalize internacionalmente que um banco só pode fazer investimento, alavancagem sete, oito vezes, diminuir o potencial - acrescentou.
Lula descartou a possibilidade de soltar um pacote para minimizar os efeitos da crise na economia brasileira. Ele afirmou que adotará apenas medidas pontuais.
- Comigo não tem pacote. Comigo é medidas. Quando for necessário, tomar medidas. Posso dizer com muita serenidade, muita atenção, conversar com muita gente - disse.
- Tenho dito ao Guido [Mantega] e ao [Henrique] Meirelles que [com] pacote atrás de pacote, esse país já quebrou a cara muitas vezes. Então, prefiro medidas pontuais, na hora necessária - reforçou.
O presidente relembrou que a atual crise teve início no ano passado e só agora ganhou a atenção dos países ricos.
- Isso é como boletim de criança que tira nota baixa e quer esconder do pai. Não adianta, um dia aparece. Então é melhor que as pessoas contem logo para as pessoas tomarem posição - afirmou.