Em meio à mais grave crise política de seu governo e de seu partido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou de "desafiadora" e "espinhosa" a tarefa que Tarso Genro, que deixou o Ministério da Educação nesta sexta-feira, enfrentará na presidência do PT.
"Meu querido Tarso, de coração, eu sei que a tarefa que você vai assumir daqui para frente é tão ou mais espinhosa do que a tarefa de ser ministro da Educação", disse Lula, na cerimônia de posse do novo ministro, Fernando Haddad.
O presidente do PT disse, ao comentar as palavras de Lula, que "espinhoso é carinho", ao ironizar a turbulência que atravessa o partido, envolvido em denúncias de compra de votos de deputados e levantamento de recursos ilegais destinados a campanhas eleitorais.
Deputados do PT, como o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP), o ex-líder da bancada Paulo Rocha (PA) e o ex-líder do governo Professor Luizinho (SP) tiveram envolvimento indireto em saques de contas do empresário Marcos Valério de Souza. O ex-ministro e deputado José Dirceu (PT-SP) é acusado de estar envolvido no suposto esquema.
Apesar disso, Tarso preferiu cautela ao comentar a situação dos envolvidos e disse que punição sem consulta interna seria uma atitude prematura.
"Nós vamos chamar essas pessoas para que elas façam um relatório a respeito de todas essas denúncias", afirmou Tarso após cerimônia no Palácio do Planalto.
O ex-ministro enfatizou que qualquer punição dependerá da decisão da comissão de ética do PT.
"A Comissão de Ética não aplica o direito penal. Ela pode recomendar ao Diretório Nacional a punição. Sua decisão não é penal, mas ético-política", afirmou.
Sobre o depoimento de Dirceu ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, marcado para a próxima terça-feira, Tarso afirmou que o deputado prometeu não cair em provocação e levará explicações para todos os questionamentos e as dúvidas para provar sua inocência.
Na cerimônia desta tarde no Palácio do Planalto, houve a apresentação do anteprojeto de reforma do Ensino Superior e a sanção de cinco projetos de lei para transformar instituições públicas já criadas em universidades federais.