Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2026

Lula chama embaixadores sul-americanos para avaliar promessas não cumpridas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira com os 12 embaixadores brasileiros na América do Sul, 13 ministros de Estado e os presidentes de várias estatais para “revisar os compromissos que foram assumidos pelo Brasil ao longo dos últimos anos e ainda não foram cumpridos”. (Leia Mais)

Quinta, 11 de Outubro de 2007 às 06:45, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira com os 12 embaixadores brasileiros na América do Sul, 13 ministros de Estado e os presidentes de várias estatais para “revisar os compromissos que foram assumidos pelo Brasil ao longo dos últimos anos e ainda não foram cumpridos”.

— O objetivo da reunião é ver os gargalos —, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

— Vamos resumir a agenda a tratar dos problemas que podem ter solução a curto prazo —, afirmou.

Ele disse que não será uma reunião política.

— Esses assuntos eu converso o tempo todo com o presidente —, disse.

Amorim disse que o encontro, segundo ele inédito na diplomacia brasileira, não foi motivado por nenhuma reclamação específica de nenhum país vizinho com relação ao atraso no cumprimento de nenhuma promessa.

— Foi motivada pela consciência de que muitos pensamentos às vezes perdem sua força e deixam de se traduzir em ação —, afirmou.

Os embaixadores já discutiram esses temas nesta terça e quarta-feira no Itamaraty com o ministro, e fizeram uma lista das promessas não cumpridas pelo Brasil e que podem ter uma solução simples a partir do contato com outros ministérios e estatais.

Um caso concreto citado pelo ministro é o pagamento ao Focem (Fundo para Convergência Estrutural do Mercosul), para financiar projetos nos países menores do bloco. Este ano, o Brasil deveria pagar US$ 52 milhões, mas tem apenas US$ 8 milhões até agora.

— O que perpassa quase todos é a questão do financiamento —, disse Amorim.

Um dos assuntos da reunião é o Banco do Sul, cuja criação foi acertada esta semana numa reunião no Rio de Janeiro entre ministros da Fazenda de Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Uruguai, Paraguai e Venezuela, e terá o objetivo de financiar de desenvolvimento na região.

Amorim lembrou que o comércio do Brasil com a região aumentou muito nos últimos anos e hoje as exportações para a América do Sul em seu conjunto já são maiores do que para os Estados Unidos.

O ministro disse também que a diplomacia precisa ficar atenta às “intensas mudanças” ocorridas na região e ser capaz de responder a estas mudanças.

— Temos que trabalhar defendendo os nossos interesses, claro, mas com flexibilidade para compreender a situação de cada país —, afirmou.

Na quarta-feira, o ministro se reuniu no Itamaraty com o diretor do Conselho Econômico Nacional dos Estados Unidos, Allan Hubbard, e à noite o presidente Lula recebeu em jantar no Palácio do Alvaorada 20 executivos brasileiros e americanos representantes do Fórum de Altos Executivos de Empresas Brasil-Estados Unidos.

O órgão foi criado durante a visita do presidente Lula ao presidente George W. Bush, em Camp David, em março, para fortalecer os laços econômicos e sociais do setor privado dos dois países.

Amorim disse que não existe a intenção de combinar as agendas dos dois eventos para mostrar um equilíbrio na relação do Brasil com a América do Sul e com os Estados Unidos.

A reunião desta quinta-feira deve ocupar todo o dia, entre 11h e 18h.

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