O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu prazo de dez dias aos ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política) e José Dirceu (Casa Civil) para resolver os problemas de nomeações nos ministérios, uma das principais queixas do PMDB, aliado do governo.
Na noite de quinta-feira, durante jantar no Palácio da Alvorada com a cúpula do PMDB, Lula ouviu demandas do partido, que cobra participação efetiva no governo. Entre outras coisas, o partido quer participar do chamado núcleo duro, do qual constam os ministros responsáveis pela principais decisões de governo.
O PMDB, que ganhou duas pastas na última reforma ministerial, a da Previdência e a das Comunicações, afirma não ter nem ao menos o controle total desses ministérios, nos quais os petistas continuariam atuando. No dia anterior ao jantar, insatisfeito com a imobilidade na gestão do Ministério da Previdência, o ministro Amir Lando ameaçou deixar o governo.
Lando quer autonomia para poder fazer nomeações e até mesmo tomar decisões no ministério, o que não tem acontecido, segundo ele, desde sua posse no início do ano. A gota d'água para Lando teria sido uma reunião com ministros realizada pelo presidente nesta semana para discutir o valor do salário mínimo em que o ministro da Previdência sequer foi ouvido. Convencido a dar mais um tempo ao governo, Lando voltou atrás e decidiu esperar o resultado da conversa com o presidente.
O jantar, que durou cerca de quatro horas, serviu para acalmar os ânimos do partido, segundo peemedebistas. Lula, além de determinar que o partido deve ser atendido em suas demandas nos ministérios, admitiu que precisa entrar pessoalmente com mais força na articulação política com os aliados.
Para o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), a conversa da noite passada com o presidente foi uma das mais produtivas até agora. ``A conversa foi muito boa, saímos com a impressão que vamos aprimorar e aprofundar a relação com o governo'', disse Calheiros.
Lula também teria determinado que os ministros abram mais espaço em suas agendas para atender aos peemedebistas, outra queixa frequente de senadores e deputados do partido. O próprio presidente também se comprometeu a reservar um tempo maior para atender aos aliados. Já na próxima semana, o presidente recebe Calheiros para discutir a chamada ``agenda do desenvolvimento''.
A agenda, um cronograma de projetos que, segundo o PMDB, podem ser votados ainda neste ano no Congresso, foi apresentada ao presidente por Calheiros durante o jantar.
O senador líder sugeriu ao governo projetos para desburocratizar as ações de governo, aos quais Lula teria dado especial atenção.
Segundo interlocutores, Lula admitiu que o excesso de burocracia tem emperrado algumas ações de governo e que isso o incomoda. O presidente também estaria insatisfeito com a publicidade do governo que, para ele, não tem sido eficaz em divulgar os pontos positivos de sua gestão.
Além de Calheiros e Lando e dos ministros do chamado núcleo duro, jantaram com o presidente o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), o presidente do Senado, José Sarney, e o presidente do PMDB Michel Temer (SP).