Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Lula cede a apelos do PMDB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu prazo de dez dias aos ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política) e José Dirceu (Casa Civil) para resolver os problemas de nomeações nos ministérios, uma das principais queixas do PMDB, aliado do governo. Insatisfeitos com dois ministérios, os peemedebistas agora querem participar do núcleo duro do governo.(Leia Mais)

Sexta, 16 de Abril de 2004 às 12:44, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu prazo de dez dias aos ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política) e José Dirceu (Casa Civil) para resolver os problemas de nomeações nos ministérios, uma das principais queixas do PMDB, aliado do governo.

Na noite de quinta-feira, durante jantar no Palácio da Alvorada com a cúpula do PMDB, Lula ouviu demandas do partido, que cobra participação efetiva no governo. Entre outras coisas, o partido quer participar do chamado núcleo duro, do qual constam os ministros responsáveis pela principais decisões de governo.

O PMDB, que ganhou duas pastas na última reforma ministerial, a da Previdência e a das Comunicações, afirma não ter nem ao menos o controle total desses ministérios, nos quais os petistas continuariam atuando. No dia anterior ao jantar, insatisfeito com a imobilidade na gestão do Ministério da Previdência, o ministro Amir Lando ameaçou deixar o governo.

Lando quer autonomia para poder fazer nomeações e até mesmo tomar decisões no ministério, o que não tem acontecido, segundo ele, desde sua posse no início do ano. A gota d'água para Lando teria sido uma reunião com ministros realizada pelo presidente nesta semana para discutir o valor do salário mínimo em que o ministro da Previdência sequer foi ouvido. Convencido a dar mais um tempo ao governo, Lando voltou atrás e decidiu esperar o resultado da conversa com o presidente.

O jantar, que durou cerca de quatro horas, serviu para acalmar os ânimos do partido, segundo peemedebistas. Lula, além de determinar que o partido deve ser atendido em suas demandas nos ministérios, admitiu que precisa entrar pessoalmente com mais força na articulação política com os aliados.

Para o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), a conversa da noite passada com o presidente foi uma das mais produtivas até agora. ``A conversa foi muito boa, saímos com a impressão que vamos aprimorar e aprofundar a relação com o governo'', disse Calheiros.

Lula também teria determinado que os ministros abram mais espaço em suas agendas para atender aos peemedebistas, outra queixa frequente de senadores e deputados do partido. O próprio presidente também se comprometeu a reservar um tempo maior para atender aos aliados. Já na próxima semana, o presidente recebe Calheiros para discutir a chamada ``agenda do desenvolvimento''.

A agenda, um cronograma de projetos que, segundo o PMDB, podem ser votados ainda neste ano no Congresso, foi apresentada ao presidente por Calheiros durante o jantar.
O senador líder sugeriu ao governo projetos para desburocratizar as ações de governo, aos quais Lula teria dado especial atenção.

Segundo interlocutores, Lula admitiu que o excesso de burocracia tem emperrado algumas ações de governo e que isso o incomoda. O presidente também estaria insatisfeito com a publicidade do governo que, para ele, não tem sido eficaz em divulgar os pontos positivos de sua gestão.
Além de Calheiros e Lando e dos ministros do chamado núcleo duro, jantaram com o presidente o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), o presidente do Senado, José Sarney, e o presidente do PMDB Michel Temer (SP).

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