Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2026

Lula: 'Bush errou ao promover guerra'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em almoço fechado com representantes da Liga Árabe, que acredita que o presidente americano, George W. Bush, cometeu um erro ao promover a guerra no Iraque. A reunião informal ocorreu depois do discurso de Lula no plenário da Liga Árabe, na cidade do Cairo, no Egito, na terça-feira. O teor do encontro foi revelado por ministros da comitiva de Lula que participaram do almoço. (Leia Mais)

Quarta, 10 de Dezembro de 2003 às 06:46, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em almoço fechado com representantes da Liga Árabe, que acredita que o presidente americano, George W. Bush, cometeu um erro ao promover a guerra no Iraque.

A reunião informal ocorreu depois do discurso de Lula no plenário da Liga Árabe, na cidade do Cairo, no Egito, na terça-feira. O teor do encontro foi revelado por ministros da comitiva de Lula que participaram do almoço.

Lula disse ainda acreditar que, para qualquer chefe de Estado, é muito difícil admitir um erro, especialmente em ano eleitoral - em uma indicação de que Bush estaria ciente de que a guerra foi um erro, mas não poderia reconhecer isso por questões políticas.

O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, ressaltou que Lula disse mais de uma vez que não fazia aquelas afirmações para entrar em confronto com os Estados Unidos.

- Lula disse que o Brasil não quer ser hegemônico em nada, nem na América do Sul. Disse que o Brasil quer ser parceiro - afirmou o ministro.

Mares Guia disse ainda que o presidente deixou claro que os árabes não deveriam esperar uma redução ou mudanças na relação do Brasil com os Estados Unidos ou com a Europa. "O que nós queremos é vender. Foi o que o Lula disse", relatou o ministro do Turismo.

Diplomacia

As declarações dos ministros da comitiva de Lula sobre a reunião informal do presidente com representantes da Liga Árabe ocorreu no saguão de entrada do hotel onde Lula está hospedado em Trípoli, na Líbia.

Lula foi recebido em Trípoli pelo coronel Muammar Kadafi
 
Além de Walfrido Mares Guia, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, conversaram com a imprensa sobre as declarações de Lula.

Todos fizeram questão de minimizar o impacto das críticas do presidente a Bush e disseram que as afirmações foram apenas uma descrição de Lula sobre o que o Brasil já acreditava em relação à guerra no Iraque.

No entanto, um membro ligado à diplomacia brasileira - que está na comitiva, mas não ouviu as declarações de Lula e foi questionado sobre o assunto nesta quarta-feira - se mostrou surpreso com a atitude do presidente, mas não quis comentá-la.

Retórica

No almoço com representantes da Liga Árabe, Lula também retomou sua retórica de união política e comercial, disse que o Brasil tem de vender e comprar e brincou que o ministro Furlan "só quer vender".

Também em tom de brincadeira, Furlan reagiu à afirmação do presidente ao dizer que quer "pechinchar" - em uma referência a sua tese de importar produtos dos países árabes, mas apenas se conseguir bons negócios.

Depois de deixar o Egito, Lula foi recebido em Trípoli, na Líbia, pelo coronel Muammar Kadafi.

Na conversa entre os dois, Kadafi disse que o mundo árabe tem uma economia pequena, menor do que a do Brasil, e está dividido, com a cultura como único elo.As palavras de Kadafi contrastaram com as de Lula, que pregou a união dos países do mundo árabe entre si e do mundo árabe com os sul-americanos.

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