Rio de Janeiro, 02 de Fevereiro de 2026

Lula avisa ao G4 que submissão acabou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas, nesta segunda-feira, aos países ricos por não aceitarem reduzir os subsídios agrícolas e afirmou que a interrupção das conversas no âmbito da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), é sinal de que “o momento da subserviência” acabou. Brasil e Índia abandonam negociações após constatar posição unilateral dos EUA

Segunda, 02 de Julho de 2007 às 12:15, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas, nesta segunda-feira, aos países ricos por não aceitarem reduzir os subsídios agrícolas e afirmou que a interrupção das conversas no âmbito da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), é sinal de que “o momento da subserviência” acabou. Lula explicou que, durante as negociações, a União Européia não aceitou reduzir suas taxas e os Estados Unidos não abriram mão dos subsídios que concedem aos seus agricultores, como querem os países em desenvolvimento. De acordo com o presidente, nos últimos três anos, os norte-americanos investiram US$ 15 bilhões em subsídios agrícolas e propuseram elevar o montante para US$ 17 bilhões.

— Na verdade, eles [Estados Unidos] não queriam diminuir, eles queriam aumentar. A União Européia falou, falou, falou, mas, na hora de apresentar a carta que estava no bolso, não apresentou. Eles queriam que nós reduzíssemos o coeficiente dos produtos industriais, para mais produtos dos países desenvolvidos entrarem no Brasil —, disse Lula, ao participar da comemoração aos 50 anos da empresa Scania  no país, em São Bernardo do Campo (SP).

A falta de um acordo entre as nações ricas e pobres sobre a redução dos subsídios agrícolas fez com que Brasil e Índia suspendessem, no mês passado, na Alemanha, diálogo com os europeus e norte-americanos. Os quatro países, que formam o G4, lideravam as negociações na Rodada Doha.

— Tivemos, pela primeira vez, a coragem de não ceder aos interesses das economias desenvolvidas. Nós fizemos questão de dizer que tinha acabado aquele momento da subserviência. Queríamos ser tratados em pé de igualdade —, completou o presidente a respeito da decisão de Brasil e Índia.
 

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