O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se, nesta quinta-feira, com 29 representantes do setor industrial para apresentar as novas medidas de estímulo à economia, como forma de enfrentar a crise mundial. Nenhum dos empresários convidados quis falar com os jornalistas ao chegar apara o encontro. Alguns disseram que precisam conhecer as medidas, que devem ser anunciadas nas próximas horas.
Também participaram da reunião quatro ministros: Miguel Jorge, do Desenvolvimento; Guido Mantega, da Fazenda.; Paulo Bernardo, do Planejamento, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Segundo Bernardo, o governo pretente, com o pacote, "minimizar os efeitos da crise com foco nas pessoas, no emprego e na renda".
Entre as medidas previstas estão a reformulação da tabela do Imposto de Renda para as pessoas físicas (IRPF), o barateamento do crédito reduzindo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a garantia de caixa para as empresas continuarem a produzir e não realizarem demissões em massa. Para isso, a idéia do governo é reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), principalmente às montadoras.
Em relação à tabela do IRPF, segundo o ministro, entre as variações propostas a que obteve aprovação junto à equipe econômica prevê a criação de duas faixas intermediárias. A alíquota máxima de 27,5% seria mantida, assim como a faixa de isenção, e seriam estabelecidos novos valores: um abaixo de 15% e outro de 15% a 27,5%. Quanto ao IOF, o objetivo é reduzir dos atuais 3% para cerca de 1,5% no crédito às pessoas físicas. Essa alíquota vigorava em 2007, antes de o governo aumentar a tributação após o fim da CPMF. A estimativa é que a medida reduza a arrecadação em aproximadamente R$ 3 bilhões.
Os técnicos estudam, ainda uma outra medida: A redução do IPI. O objetivo é ajudar as indústrias a ampliarem suas vendas, principalmente as montadoras.
Na véspera, sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reuniram com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para pedir garantias de emprego.
Segundo nota distribuída pelo Planalto, os empresários presentes na reunião com Lula foram: Antonio Maciel Neto (Suzano), Armando Monteiro Neto (CNI), Benjamin Steinbruch (CSN), Carlos Augusto Lira Aguiar (Aracruz), Carlos Ermírio de Moraes (Votorantim), Carlos Jereissati (La Fonte), Cledorvino Belini (Fiat), Constantino Júnior (Gol), David Barioni (TAM), Demian Fiocca (Vale), Emilio Odebrecht (Odebrecht), Fabio Barbosa (Santander), Flavio Azevedo (IBS), Hector Núñez (Wal-Mart), Ivan Zurita (Nestlé), Jackson Schneider (Mercedes-Benz), Joesley Batista (Friboi), Jaime Ardila (GM), Jorge Gerdau (Gerdau), Luiz Fernando Furlan (Sadia), Marcio Cypriano (Bradesco), Marcos de Oliveira (Ford), Milton Cardoso (Grendene/Vulcabrás), Sergio Andrade (Andrade Gutierrez), Roberto Lima (Vivo), Roberto Setubal (Unibanco/Itaú), Rubens Ometto (Cosan), Thomas Schmall (Volks), Victorio De Marchi (AmBev).
Crise na indústria
O Sinalizador da Produção Industrial (SPI), pesquisa conjunta da Fundação Getulio Vargas e da AES Eletropaulo baseada no consumo de energia, mostra que a atividade industrial paulista deve ter recuado 6%. Com isso, o setor pode ter registrado a menor taxa dos últimos 11 anos.
A pesquisa, divulgada nesta quinta-feira, antecipa as tendências da atividade industrial no Estado de São Paulo. Os dados estatísticos oficiais sobre o desempenho do setor ainda estão sendo contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mas sempre oscilam próximos desse levantamento.
Segundo Paulo Picchetti, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), vinculado à FGV, a queda foi a maior já verificada na apuração do SPI, desde dezembro de 1997, quando a variação ficou negativa em 6,3%. “É o primeiro sinal de que a crise financeira internacional está afetando a indústria, dando início a um ciclo de desaceleração da atividade econômica brasileira”, disse Picchetti.
De acordo com o levantamento, a previsão para acumulado nos 12 meses até novembro é de variação positiva de 6,7%, ainda que abaixo da registrada em outubro (8%). No décimo mês do ano, o IBGE indicou uma leve queda