Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 2026

Lula aposta em blindagem do Brasil contra crise global

Terça, 16 de Setembro de 2008 às 16:10, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou nesta terça-feira que continua otimista em relação à capacidade da economia brasileira de enfrentar a crise financeira global, apesar do efeito negativo das turbulências sobre o mercado de capitais nacional.

Na avaliação do presidente, o impacto da crise sobre a economia do país será "quase imperceptível".

Lula chegou a declarar que "até agora" a crise não desembarcou no Brasil, apesar de o principal índice da bolsa de valores de São Paulo ter amargado uma queda de mais de 7 por cento na segunda-feira.

- Que crise? Vai perguntar para o Bush - afirmou o presidente a jornalistas, no Palácio do Planalto.

Mais tarde, em entrevista coletiva concedida no Itamaraty, antes de oferecer almoço ao primeiro-ministro da Noruega, Lula ironizou o elemento que desencadeou a crise que dura mais de um ano.

- O cassino imobiliário era muito maior do que a gente podia imaginar... a cada dia há uma surpresa - disse.

Para Lula, o Brasil tem maiores condições de enfrentar a atual situação porque conta com mais de 200 bilhões de dólares em reservas internacionais e reduziu a importância do comércio com os Estados Unidos, por conta da maior diversificação dos mercados compradores de produtos brasileiros.

- Essa diversificação nos permitiu estarmos tranquilos, porém atentos, como um médico responsável que faz a cirurgia no seu paciente e não vai embora para casa, fica lá para acompanhar a reação - complementou.

O fortalecimento do mercado doméstico também foi apontado pelo presidente como um dos elementos que podem ajudar o país a enfrentar a situação.

Lula agradeceu a Deus pelo fato de o sistema financeiro brasileiro não ter se envolvido no mercado de hipotecas de alto risco norte-americano, e voltou a cobrar uma reação do governo Bush.

- Os Estados Unidos precisam resolver essa crise, porque obviamente tendo uma recessão nos Estados Unidos muito profunda ela pode atingir o mundo inteiro - disse.

Atenção sem alarme

Segundo um importante interlocutor do presidente, o governo segue atento, mas não alarmado.

- Estamos há um ano sem nos assustar com o barulho do tiro - disse a fonte, que pediu para não ser identificada.

- Os fundamentos econômicos têm dado solidez ao país para enfrentar a crise com tranquilidade - acrescentou.

Na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, utilizaram o mesmo argumento quando tentaram dar um sinal de tranquilidade aos investidores, diante da reação negativa dos investidores ao anúncio da liquidação do banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, a venda da Merrill Lynch para o Bank of America e as dificuldades financeiras enfrentadas pela seguradora AIG .

A volatilidade ainda era marca presente nos mercados nesta terça-feira. A decisão do Federal Reserve de manter a taxa básica de juro dos EUA em 2 por cento chegou a provocar uma acentuação nas perdas das ações em Wall Street.

Mas a possibilidade de elaboração de um pacote de ajuda para a AIG garantiu um momento de alívio aos mercados. Os principais indicadores de Wall Street fecharam em alta de mais de 1 por cento.

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