O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vê uma evolução política em Cuba e que o Brasil não vai fazer pirotecnia anti-cubana no caso dos músicos cubanos que, em dezembro, decidiram ficar no Brasil depois de uma série de apresentações no país. Ao deixar o solo cubano, na madrugada desta quarta-feira, Lula falou sobre a evolução política ao ser questionado se via no país uma abertura política, além da abertura econômica, já que Cuba está interessada em receber mais investimentos estrangeiros.
- Para nós o importante é que Cuba assinou o Protocolo de Direitos Civis e Políticos da ONU e vai assinar o Direito Econômico. Para nós é importante essa evolução política - afirmou o presidente.
O presidente acrescentou que o Brasil quer contribuir para a inserção internacional de Cuba mas sem nenhuma ingerência.
- Não damos palpite na política de nenhum país porque não queremos que as pessoas dêem palpite nas coisas do Brasil - afirmou.
Os protocolos são os dois mais importantes tratados sobre direitos humanos na ONU, de acordo com o Itamaraty. O chanceler cubano, Felipe Perez Roque, anunciou no fim do ano passado que Cuba irá ratificar os dois acordos até março deste ano.
Encontro reservado
Depois de um dia de incerteza quanto ao esperado encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o líder cubano Fidel Castro, os dois se reuniram por cerca de duas horas e meia no final da tarde desta terça-feira.
Lula disse que vinha acompanhando o estado de saúde de Fidel pela imprensa e que ficou feliz por ter podido se encontrar com seu “companheiro”. Segundo ele, Fidel está saudável e lúcido.
- A impressão que eu tenho é que o Fidel está muito bem de saúde, que está com uma lucidez como nos melhores momentos - disse Lula pouco antes de embarcar de volta ao Brasil, no aeroporto de Havana.
O presidente interino de Cuba, Raúl Castro, acompanhou Lula no aeroporto.
- Penso que Fidel está pronto para assumir o papel político que ele tem na história, no mundo globalizado, na humanidade - completou, ao reiterar a paixão que sua geração tem pela revolução cubana.
O governo cubano divulgou quatro fotos do encontro dos dois presidentes. Em uma delas, Lula está tirando uma fotografia de Fidel. Magro e com a barba mais curta, o líder cubano parece bem-humorado e tranqüilo, vestido com um agasalho esportivo e tênis preto.
O último encontro de Lula e Fidel ocorreu em julho de 2006, poucos dias antes de o líder cubano ser hospitalizado, durante a Cúpula do Mercosul e Estados Associados realizada na cidade argentina de Córdoba.