Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2026

Lula apóia entrada de Cuba na OEA, mas não sabe se Raul Castro concorda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a elogiar, nesta segunda-feira, a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de revogar a medida que, em 1962, havia excluído Cuba do grupo. (Leia Mais)

Segunda, 08 de Junho de 2009 às 09:02, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a elogiar, nesta segunda-feira, a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de revogar a medida que, em 1962, havia excluído Cuba do grupo.

– Para nós foi muito importante, porque isso não implicou numa derrota dos Estados Unidos, isso não implicou numa derrota dos países que fazem parte da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba); ou seja, no fundo, no fundo, mais uma vez, prevaleceu o consenso e nós conseguimos construir uma proposta que atendeu aos interesses de todo mundo. Agora, se os cubanos vão entrar ou não é outra história – disse, ao destacar que não há sinal favorável por parte de Cuba para o retorno.

Tanto Fidel Castro como seu irmão, Raul, afirmam que a OEA é um instrumento dos Estados Unidos e que não estão interessados em retornar. Brasil e muitos outros países da região defendem, ainda, o levantamento do embargo econômico dos EUA à ilha, em vigor desde 1962, no contexto da Guerra Fria.

Em seu programa semanal Café com o Presidente, Lula reforçou o fato de a decisão ter sido importante porque representou consenso. Ele lembrou que a posição norte-americana era de terminar com a sanção à Cuba mediante palavras de respeito aos direitos humanos e à democracia, enquanto a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) não defendia a exigência de elaboração do documento.

– Todo mundo concordou – disse.

Abertura

Depois de visitar três países da América Central na semana passada, o presidente Lula revelou que o objetivo do governo é utilizar a estratégia de aproximação com El Salvador, Guatemala e Costa Rica para que produtos brasileiros cheguem aos Estados Unidos.

– Todos esses países têm tratado de livre comércio com os Estados Unidos e é importante que a gente construa parceria, sobretudo na área do biocombustível, para, por meio deles, vender o etanol brasileiro aos Estados Unidos – disse.

Ele avalia a eleição do presidente de El Salvador, Mauricio Funes, como “uma conquista dos setores progressistas da sociedade latino-americana”. Para Lula, a posse de Funes representa um avanço da democracia em toda a América Latina.

Sobre a Guatemala, o presidente destacou o que considera “uma parceria extraordinária” na construção de política públicas, principalmente na área social. O país, segundo ele, reproduz estratégias brasileiras adotadas pelo atual governo como o Bolsa Família, o Restaurante Popular e o Escola Aberta.

Em relação à Costa Rica, Lula disse que o país apresenta “uma imensa possibilidade” de exportação de engenharia brasileira como serviços para construção de estradas, de aeroportos e de hidrelétricas.

– Tudo isso interessa ao Brasil: não só financiar para ajudar o desenvolvimento desses países, mas porque são sempre uma porta aberta para que o Brasil possa entrar nos Estados Unidos com produtos que são taxados se forem vendidos diretamente – disse.

Buscas

O presidente ainda comentou sobre as buscas dos corpos e destroços do desastre aéreo envolvendo o Airbus A330 da Air France, após 17 corpos terem sido encontrados neste fim de semana. Lula afirmou que a Marinha e a Aeronáutica continuarão os trabalhos para que sejam encontrados, se possível, os 228 corpos que estavam a bordo do avião, bem como mais destroços da aeronave.

– Principalmente, os corpos. Nesse momento de dor não vai resolver o problema, mas já é um conforto imenso para a família, saber que poderá enterrar seu ente querido – concluiu.

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