O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa até esta terça-feira, no México, da 2ª Cúpula da Unidade da América Latina e do Caribe. Um dos principais assuntos da reunião, que já tem confirmada a presença de 23 chefes de Estado, será o possível surgimento de um novo órgão regional, ainda sem nome, que excluiria os Estados Unidos e o Canadá e que vai substituir o chamado Grupo do Rio.
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que não vê nenhum mal-estar diplomático na criação desse novo bloco, já que há assuntos que só dizem respeito a essas nações latinas e caribenhas e que merecem um fórum especial. Os líderes também devem sair do encontro com um documento de apoio à Argentina sobre a questão das Ilhas Malvinas. O governo argentino está protestando contra a iniciativa da Grã-Bretanha, que tem o domínio do arquipélago, de iniciar a exploração de petróleo nas Malvinas e convocar licitações sem comunicar ao país.
– Seguramente, vamos sair daqui com uma posição de apoio. Não sei exatamente em que termos, mas sairemos com uma posição firme – disse Garcia.
Além dos temas oficiais, a questão da reintegração de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA) deve ser discutida entre os chefes de Estado. O Brasil, que não reconhece a legitimidade do governo de Porfírio Pepe Lobo, já fala em um entendimento, mas a reaproximação com Honduras ainda depende de muitos fatores, como uma sinalização do governo de que vai resolver a situação do presidente deposto Manuel Zelaya.
Esta é a primeira etapa da última viagem de Lula como chefe de Estado à America Central e ao Caribe. Além do México, o presidente visita nesta semana Cuba, o Haiti e El Salvador.
Continente forte
Ao comentar o roteiro de viagem a quatro países da América Latina nos próximos dias, o presidente Lula afirmou que o giro é uma chance para fortalecer o continente. Em seu programa semanal Café com o Presidente, ele lembrou que esta será a primeira vez que a região do Caribe é incluída no roteiro.
– Fizemos a primeira reunião entre todos os países da América Latina e do Caribe na Bahia, em dezembro de 2008. Foi a primeira vez que se conseguiu reunir todos os países sem a participação dos norte-americanos ou do Canadá – disse o presidente.
Para Lula é um fórum novo, que permite discutir os problemas desses países com mais desenvoltura e, ao mesmo tempo, descobrir as potencialidades de investimentos mútuos, de trocas comerciais e de entrosamento na área política e cultural.
Sobre a visita a Cuba, o presidente destacou o projeto de recuperação do Porto de Mariel como investimento prioritário. Outra medida que será apresentada pelo governo brasileiro é a recuperação da rede hoteleira no país. Segundo Lula, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, já está em Havana para consolidar acordos.
– A Petrobras vai fazer uma fábrica de óleo combustível em Havana e também está preparando os estudos para fazer o teste de prospecção para ver se achamos petróleo em Cuba. E tudo isso nós pretendemos que aconteça este ano – acrescentou.