O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia na próxima quinta-feira, a recriação da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). O ato, que se realizará no Teatro Maria Sílvia Nunes, em Belém, terá a presença do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, a cuja pasta o novo organismo estará vinculado, e de todos os governadores da Amazônia, além de representantes de entidades empresariais e de trabalhadores da indústria, do comércio e da agricultura.
Durante o evento, o presidente Lula assinará mensagem encaminhando ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Complementar de criação da nova Sudam, que, a exemplo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), terá como foco a inclusão social e contará com um leque de instrumentos fiscais e financeiros para estimular o desenvolvimento econômico e social da região.
A Sudam foi extinta juntamente com a Sudene pelos ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em maio de 2001, no rastro de denúncias de corrupção. No lugar das autarquias forma criadas agências de desenvolvimento, mas elas na prática nem chegaram a funcionar.
No caso da Sudam, as denúncias envolviam vários políticos da Região Norte, entre eles, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que acabou renunciando ao mandato de senador para evitar a cassação depois que vieram a tona acusações de que ele teria supostamente desviado recursos da Sudam.
O anúncio de recriação da Sudene foi feito em Fortaleza, no último dia 28 e também contou com a presença do presidente Lula. A superintendência é considerada pelos políticos e pensadores nordestinos como a responsável pelo desenvolvimento da Região nos últimos anos. O projeto da Sudene foi elaborado pelo economista Celso Furtado que também participou da discussão de renovação da autarquia, elaborada para, segundo Lula, "ser blindada contra a corrupção".
O problema é que o Governo deve indicar para os comandos das superintendências aliados políticos e não técnicos.
— Tudo indica que o Governo vai usar estes espaços para acomodar os novos aliados, o que pode acabar comprometendo as autarquias — afirma um petista próximo ao presidente.