Rio de Janeiro, 09 de Janeiro de 2026

Lula ainda não tem certeza se será candidato mas é única opção do PT

Apesar dos riscos jurídicos envolvidos na questão, futura presidente do PT aposta todas as fichas em Lula

Quarta, 03 de Maio de 2017 às 11:56, por: CdB

Apesar dos riscos jurídicos envolvidos na questão, futura presidente do PT aposta todas as fichas em Lula

 

Por Redação - de Brasília e São Paulo

 

Embora a pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada na véspera, aponte uma sólida liderança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em todos os cenários nas eleições previstas para 2018, os entraves jurídicos que poderão surgir nos próximos 17 meses não impedem o Partido dos Trabalhadores (PT) de colocar todas as suas chances de sobrevivência política em um único candidato. Lula também parece certo que não haverá qualquer barreira, em nível legal. E, se houver, afirma, “será um novo golpe de Estado”.

– Mesmo com todo esse massacre, apesar de o Lula estar sendo caçado, essa pesquisa mostra que 33% dos eleitores votariam nele. Ele tem uma história com a população – afirmou.

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A senadora Gleisi Hoffmann disse que Lula é o plano A, B e C dos petistas para as possíveis eleições de 2018

A senadora pelo PT Gleisi Hoffmann (PR), apontada como franca favorita para as eleições à direção nacional da legenda, segue na mesma linha. Segundo afirmou, em entrevista ao jornal GGN, Lula e a opção A, B e C do partido.

Hoffmann lembra os grupos majoritários de influência no Senado, que usaram o famoso “basta tirar a Dilma que o resto volta ao normal”, que foi tão propalado e tão negado nos resultados do governo Temer.

— A base formada para tirar Dilma vendeu isso para a sociedade, bem como a questão de que o vice tinha mais experiência política e daria muito mais vez e voz ao Congresso. A expectativa com isso era grande e foi por terra: a economia não melhorou e é ela que faz o ânimo da sociedade, a política centrada só no Congresso sem a sociedade começa a fazer água, e isso começa a ter influência na opinião pública, fazendo com que a sociedade seja mais crítica — disse.

Abuso de autoridade

Segundo a senadora, é importante lembrar que “em 2018 teremos eleições e os congressistas ouvem suas bases”.

— Temer não será candidato, mas os congressistas tentarão se manter no cargo, há este termômetro. Nesta situação está Renan e outros que apoiaram a deposição de Dilma e agora estão vendo que a coisa não está tão boa. Temer não foi detectado tão fraco como está se saindo pois antes fazia a política do parlamento, conversar com deputados, troca de favores, e ele levou este estilo para a presidência da República — pontua.

A líder petista sustenta que “o projeto de Nação que estas pessoas que tomaram o poder estão levando para o Brasil hoje é essa, desmontar a previdência, cortar recursos, desmontar a Petrobras, desmontar conteúdo nacional, eles não tem sequer uma política estruturada de direita, são somente serviçais do capital financeiro”.

— A Lei do Abuso teve uma discussão muito positiva dentro do Senado. Primeiro que foi simbolicamente importante aprovar a lei de abuso de autoridade, que não vai afetar só o Judiciário, mas sim a todos, inclusive os congressistas. Ninguém quer viver com abuso de autoridade. Era um projeto de lei que estava no Senado desde 2009 e o Senado Requião foi muito eficiente na condução do debate, foi de uma forma muito boa, foi ouvida toda a sociedade. Inclusive o Moro participou, e o projeto final ficou muito bem equilibrado — afirmou.

'PSDB acabou'

Para Hoffmann, “a questão da Lava Jato não é um tema que perturba tanto quanto no início”.

— As pessoas já perceberam que é preciso mudar. Não com a criminalização da política  mas com a mudança do que está errado no sistema político. O que conta é a democracia, ela é que precisa ser preservada. O próprio Congresso já se movimenta contra esse tipo de ação da Lava Jato, de colocar tudo para a mídia, misturar tudo. Então há uma reação melhor a este projeto — afirmou.

Segundo a senadora paranaense, o PSDB acabou, esfacelou. E relata a inoperância deste partido dentro do próprio Senado e na Câmara. O que fazia e o que tem hoje de denúncias travando seus representantes.

Mídia conservadora

Quanto à delação do ex-ministro Antonio Pallocci, Hoffmann acredita que ele saiba os riscos que está correndo. Ela teme que façam com ele o que fizeram com Léo da OAS. E com o Marcelo Odebrecht, ou seja, só aceitam se falar o que eles querem.

— Quanto ao Supremo Tribunal Federal, apesar de tudo, ainda é o único recurso que se tem contra tanto desmando. Mesmo se politizando, querendo assumir um papel que não é dele, ainda é o último recurso. Mesmo com ministros que dão suas sentenças com base na política e na opinião pública do que na Constituição — disse.

Gleisi Hoffmann critica a mídia conservadora e sua atuação em todo o processo. Seja antes ou depois da Lava Jato, estes meios de comunicação ligados à direita sempre esteve ciente do que acontecia.

– Mas que fez o jogo de cena, manipulando a informação para atingir Lula e o PT – concluiu.

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