Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2026

Lula ainda acredita na Rodada de Doha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, que ainda acredita na possibilidade de uma retomada das discussões da Rodada de Doha. Para ele, houve dificuldades e foi necessário parar para repensar em como continuar. Ministro Celso Amorim defende a posição brasileira nas negociações

Segunda, 04 de Agosto de 2008 às 08:44, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, que ainda acredita na possibilidade de uma retomada das discussões da Rodada de Doha. Para ele, houve dificuldades e foi necessário parar para repensar em como continuar.

- É preciso que nós tenhamos coragem de dar uma resposta: O que é que nós queremos de paz no mundo? O que nós queremos de combate ao terrorismo no mundo? como é que nós queremos tratar a questão da migração? Porque tudo isso está ligado à possibilidade do desenvolvimento dos países - disse Lula.

O presidente lembrou que a crise dos alimentos poderia não estar acontecendo se Estados Unidos e Europa atendessem ao pedido dos países em desenvolvimento para que reduzissem os subsídios agrícolas. Mesmo assim, Lula acredita que ainda há a possibilidade de negociar.

- No sábado, falei com o presidente Bush e fui muito claro dizendo para o Bush que não era possível que dois países importantes como Estados Unidos e Índia, que estão negociando um acordo nuclear, não tenham condições de fazer um acordo na questão de alimentos, porque é muito pouco o que tem de diferença entre eles - afirmou.

Lula voltou a afirmar que tratará sobre a retomada da Rodada com o presidente chinês, Hu Jintao, e com o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh. Ele irá à China nesta sexta-feira, onde participará da abertura da Olimpíada de Pequim.

Comentários

As críticas à posição brasileira adotada na Rodada Doha foram rebatidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, convidado do programa de rádio apresentado pelo presidente. Lula adiantou que traça estratégias para a retomada das discussões, mas enquanto não ocorrem, ele mostrou quais serão os próximos passos brasileiros nos debates sobre o comércio internacional.

- O Brasil vai continuar fazendo as suas negociações em todas as instituições multilaterais existentes. O Brasil vai fazer o seu acordo estratégico com a União Européia. O Brasil quer construir um acordo estratégico entre o Mercosul e União Européia. Vamos fazer um acordo entre o Mercosul e o Sica [Sistema de Integração Centro-Americano], que reúne os países do Caribe. E nós, obviamente, vamos continuar discutindo a questão do subsídio, porque para nós é uma vergonha - disse Lula.

Na avaliação de Celso Amorim, que passou duas semanas em Genebra, na Suíça, participando das negociações, é cedo para dizer que Doha não deu certo, e acordos como esse dificilmente não recebem críticas.

- Não deu certo esse ciclo de negociações. O que nós vamos ter que saber é se vai poder resolver agora, ainda no curto prazo ou se vai precisar de mais dois, três anos, o que infelizmente é o que aconteceu com outras rodadas, como a rodada do Uruguai, não é? Não seria uma novidade absoluta nos termos das negociações da OMC - disse.

O ministro disse ter esperança na retomada dos diálogos, por meio de movimentos políticos como o que Lula iniciou com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush – em que Lula assumiu posição de mediador de acordo bilateral no comércio de alimentos entre Índia e Estados Unidos.

- Também em Cancún (cidade mexicana que sediou a reunião da Rodada em 2003), nós recebemos muitas críticas. Hoje em dia todo mundo reconhece que o G20 (Grupo dos 20, formado por países em desenvolvimento) foi fundamental, inclusive para levar a rodada até onde ela chegou. Quer dizer, se você pegar a estrutura do acordo agrícola na rodada, é todo ele baseado nas propostas do G20 - salientou.

Lula, por fim, disse que acredita em uma rodada que permita que haja justiça na conclusão.

- Nós vamos continuar insistindo. Todo mundo sabe que eu sou teimoso e, portanto, nós vamos conquistar isso. É apenas uma questão de tempo. Aqueles que já ficaram vendendo derrotismo, aqueles que já foram acender vela porque fracassou vão quebrar a cara, porque nós vamos concluir o acordo da Rodada de Doha. Pode demorar mais um mês, mais dois meses, mas nós vamos conseguir fazer isso - afirmou.

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