O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o Brasil fez "o que podia e o que não podia" para que terminassem em acordo as negociações da Rodada Doha.
- Está claro que nós fizemos as concessões que eram necessárias fazer em produtos industriais, está claro que fizermos acordos na área de agricultura e está claro que eles não fizeram o que deveriam, senão tínhamos feito um acordo - afirmou.
Para o presidente Lula, no entanto, as negociações não estão encerradas, e a partir de agora não dependem mais de técnicos e sim dos mandatários dos países.
- Não acabou a negociação, é apenas uma pausa para reflexão. Acho que o bom senso ainda vai permitir que as pessoas entendam que é preciso que haja esse acordo e esse acordo não precisa de técnicos. Precisa agora sentar os presidentes dos países, os primeiros-ministros, que decidem, e tomem uma decisão do que querem e do que não querem fazer - afirmou.
Na avaliação de Lula, os problemas na Rodada Doha foram mais de ordem política do que econômica.
- Eu diria que em um país do tamanho dos Estados Unidos, com eleição marcada para o fim do ano, algum presidente se dispor em divergências com produtores agrícolas é impensável - avaliou.
O presidente disse ainda que os governantes dos países que se reuniram em Genebra nos últimos dias perderam uma "oportunidade extraordinária" de apresentar ao mundo e, sobretudo aos países mais pobres, a garantia de que haveria mais paz, democracia, oportunidades de trabalho e menos migrações.
- Para isso os países ricos precisam flexibilizar, para que os países pobres possam vender - concluiu.