O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que a reforma ministerial será feita sem pressão. Ele evitou informar a data do anúncio das mudanças em sua equipe e esquivou-se de comentar a repercussão de suas declarações contra o governo anterior.
- Vamos fazê-la sem nenhuma pressão, sem nenhuma pressa, porque eu acho que as coisas estão indo bem - disse o presidente após visitar uma fábrica da AmBev no Uruguai.
- Agora que acabaram as eleições na Câmara e no Senado eu vou começar a pensar nisso e não tenho um dia preciso para anunciar. Pode ser qualquer dia, só não posso dizer que pode ser hoje porque não estou no Brasil - acrescentou.
Quanto à repercussão das suas declarações em que insinuou a existência de corrupção no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o que gerou forte reação do PSDB, o presidente foi evasivo.
- Eu um dia vou perguntar para a imprensa sobre o que ela acha da repercussão que foi dada ao assunto - declarou apenas.
Especula-se que o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), estaria pressionado o presidente para obter cargos na reforma em troca de decisão favorável a Lula no pedido do PSDB de processo por crime de responsabilidade contra o presidente.
Lula defendeu ainda que a reforma, necessária para recompor a base aliada no Congresso, será importante para o governo e o país.
- Eu acho que a reforma será produtiva para o governo, será produtiva para a sociedade brasileira.
Na terça- feira, também no Uruguai, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), garantiu que o presidente anuncia a reforma na semana que vem, após novo encontro com os senadores do PMDB Renan Calheiros (presidente do Senado) e José Sarney na segunda-feira.
Nesta manhã, Mercadante indicou que o PT pode abrir mão de ministérios para abrigar representantes de outros partidos.
O PMDB já ocupa duas pastas (Comunicações e Previdência) e as negociações levam em conta o aumento ou a atual configuração da participação da legenda na equipe de Lula.
Também é dado como certo que a senadora Roseana Sarney (MA) se desligará do PFL e ocupará um ministério. E, até a eleição de Severino, especulava-se que o PP teria um posto na equipe de governo.
Lula afasta pressões para realizar reforma ministerial
Quarta, 02 de Março de 2005 às 14:27, por: CdB