Rio de Janeiro, 30 de Agosto de 2026

Lula admite que prova do Enem pode ser refeita

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que qualquer problema ocorrido nas provas do Enem não invalida os resultados alcançados e que o processo vai continuar. Segundo Lula, "se for necessário fazer uma prova, faremos; se forem necessárias duas, faremos. Mas o Enem vai continuar a ser fortalecido".

Quarta, 10 de Novembro de 2010 às 10:03, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que qualquer problema ocorrido nas provas do Enem não invalida os resultados alcançados e que o processo vai continuar. – O Enem é um exemplo de uma coisa bem-sucedida. Se tem problemas, vamos consertar –, afirmou Lula na Base Aérea de Malavane, minutos antes de deixar a capital moçambicana rumo à Coreia do Sul, onde participa da reunião do G20. De acordo com o presidente, a Polícia Federal vai investigar para saber o que ocorreu efetivamente no exame e que nenhum jovem vai ficar sem cursar a universidade. – Se for necessário fazer uma prova, faremos; se forem necessárias duas, faremos. Mas o Enem vai continuar a ser fortalecido. A Advocacia-Geral da União (AGU) vai enviar à Justiça Federal, no Ceará, um agravo de instrumento pedindo à juíza Karla Maia que reconsidere a decisão de anular as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicadas no último fim de semana. O advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, disse que o princípio da isonomia está garantido no caso de reaplicação do Enem exclusivamente aos estudantes prejudicados pelo erro de impressão no caderno das provas amarelas. Cerca de 21 mil cadernos apresentaram erro de montagem e não continham todas as 90 questões que integraram as provas corretas. A estimativa inicial é que a falha teria atingido 2 mil candidatos, já que havia uma reserva de material superior a esse número. O Ministério da Educação (MEC) acredita que a maioria dos participantes conseguiu trocar o caderno incorreto. De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, o erro foi localizado em um lote de 21 mil provas, mas havia cerca de 370 mil cadernos sobressalentes que poderiam ser trocados pelos fiscais no momento em que o candidato percebeu o erro. O MEC está apurando com o consórcio responsável pela aplicação do exame o total de participantes que não teria conseguido trocar o caderno de perguntas. O MEC quer reaplicar o Enem apenas para esse grupo específico e não considera a opção de refazer a prova para os quase 3,3 milhões de inscritos no exame nacional. – Nós temos 3,298 milhões de estudantes que prestaram essa prova validamente e têm direito a uma pontuação, a uma validação dos resultados que os permita ingressar ou habilitar-se ao ingresso nas universidades públicas –, disse o advogado-geral. Adams reforçou o argumento do MEC de que a metodologia utilizada no Enem, a Teoria de Resposta ao Item (TRI), preserva a isonomia, já que permite elaborar testes com o mesmo grau de dificuldade, ainda que as questões sejam diferentes. O ministro reconheceu que os alunos foram prejudicados, mas “não é válido submeter todo o universo de estudantes a um novo processo. A fragilidade foi séria, nós temos que reconhecer que o Estado cometeu erros do ponto de vista operacional”. Para Adams, não há porque temer uma judicialização do caso, ainda que seja grande a possibilidade de que vários estudantes contestem na Justiça os prejuízos causados pelas falhas do Enem. – A judicialização é um fenômeno brasileiro que ocorre independentemente dos problemas que possam acontecer na prova. O importante é que objetivemos, por parte do Judiciário, uma resposta para que se torne referência. Foi suspensa a publicação no site do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de um sistema que seria aberto nesta quarta-feira para que estudantes prejudicados pelo erro de impressão na folha de respostas pudessem pedir a correção diferenciada do gabarito. O Instituto Nacional dos Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) está impedido, por liminar da Justiça Federal no Ceará que suspendeu o Enem, a dar continuidade ao processo.

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