O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta terça-feira o sucateamento das Forças Armadas e a necessidade de elevar o salário dos militares.
A declaração de Lula vem em meio a novas tensões entre militares e governo, que havia prometido reajustar os rendimentos da categoria no primeiro trimestre deste ano.
"Nós vamos ter que dedicar nossa inteligência, nossa criatividade e a nossa disposição política para que juntos a gente possa fazer com que as nossas Forças Armadas voltem a ser as Forças Armadas que tenham, não apenas a recompensa salarial, mas a recompensa dos bens materiais necessários", disse Lula em solenidade no Palácio do Planalto para militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica promovidos em suas funções.
Durante o evento, Lula decidiu falar de improviso. Admitiu o "desmonte" das Forças Armadas e disse que o sucateamento promovido durante anos não será resolvido rapidamente. Mas ele não tocou no prazo não cumprido para conceder os 23 por cento restantes de aumento.
O governo já havia concedido reajuste de 10 por cento aos miliatres. Na ocasião, o Ministério da Defesa havia prometido repassar a maior parte do aumento nos três primeiros meses de 2005.
O presidente não poupou elogios às Forças Armadas, sobretudo ao trabalho social que vêm desempenhando em programas do governo e exaltou os serviços prestados pelos militares ao país.
"Nesses dois anos, aprendi a conhecer melhor as nossas Forças Armadas e aprendi a reconhecer o trabalho extraordinário e dignificante que as Forças Armadas estão prestando ao Brasil ao longo de muitos e muitos anos, antes que eu viesse a ser o presidente da República," disse.
Mais cedo, em comemoração do Dia do Exército, Lula afirmou, em sua mensagem aos militares, que a valorização das Forças Armadas é um objetivo do governo. Enquanto uma locutora do cerimonial lia a mensagem, na presença do presidente, um grupo de mulheres de militares pedia, aos gritos, o reajuste prometido.
Parte das manifestantes colocou-se diante do carro da segurança pessoal do presidente, mas não conseguiu impedi-lo de sair.
"Somente quando pudermos recuperar o poder aquisitivo de todos aqueles que trabalham na defesa da nação, dando a eles condições de trabalho adequadas e salário digno e justo, é que o Estado voltará a ser um verdadeiro Estado democrático e republicano", afirmou Lula.