As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas favelas são "de interesse de todo mundo" e, por isso, o orçamento deve ser votado nesta semana no Congresso Nacional. A avaliação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao comentar na segunda-feira, no programa de rádio Café com o Presidente, as obras do PAC nas favelas, anunciadas na última sexta-feira.
- Eu estou convencido de que vão aprovar esta semana e vamos tocar o barco com muita normalidade - disse o presidente, ao ser questionado sobre a possibilidade de as obras do PAC ficarem comprometidas sem a votação do orçamento.
A votação do Orçamento está prevista para acontecer na próxima quarta-feira. A difuculdade na votação se resume a três principais pontos de divergência entre o governo e a oposição. São eles: divisão dos R$ 534 milhões do anexo de metas, que foi retirado do texto; os recursos da lei Kandir; e um destaque que garantiria mais recursos para a agricultura. O ponto mais difícil dos três é referente ao anexo de metas, que já ficou conhecido como contrabando dos parlamentares da comissão. O valor refere-se a emendas de parlamentares da própria Comissão do Orçamento que foram incluídas na última hora. Por conta dos R$ 534 milhões o PSDB saiu da comissão em protesto.
- Eu não posso crer que apenas eu queira trabalhar, e eles (s parlamentares) não. (...) Eu tenho certeza de que há disposição e vontade política do Congresso em votar. Mas eu estou convencido de que eles vão votar porque sabe a oposição e sabe a situação que o Brasil precisa do orçamento. Não é o governo que precisa do orçamento. O governo apenas gerencia. Quem precisa do orçamento é o povo brasileiro - afirmou.
Os investimentos em urbanização de favelas, segundo Lula, chegam a R$ 40 bilhões e são, para ele, a forma que o Estado encontrou para “recuperar o prazer das pessoas morarem no lugar que escolheram para morar”. Para o presidente, a atual situação das periferias é reflexo da falta do poder público nestes locais nos últimos 50 anos.
- Ao não fazer a intervenção com obras públicas, levando as coisas que o Estado tem que levar, as pessoas foram se apinhando, umas em cima das outras e as casas foram sendo amontoadas - disse.
Ele lembrou que as obras estão começando em todas as capitais. Entre essas obras, Lula destacou a abertura de ruas, construção de postos policiais, hospitais, áreas de lazer e bibliotecas.
- Ou seja, nós vamos cuidar para que as pessoas tenham nas favelas onde moram as mesmas condições de vida que tem todo cidadão brasileiro que mora num bairro comum deste país - destacou.
Ao se despedir, Lula disse que está “feliz da vida”.
- Parece que a tensão baixou na América do Sul, ou seja, parece que os discursos deram lugar ao bom senso e parece que as coisas estão acontecendo com uma certa tranqüilidade - comentou.